sábado, 22 de junho de 2013

Mitos x realidades

Você deve conhecer alguém que tem gato de água ou “gato” de luz em casa. Também deve conhecer alguém que já deu propina para policial liberar seu carro em uma “blitz”. Provavelmente, assim como eu, também deve conhecer alguém que evita pagar impostos ou que dá um jeitinho para ganhar um lugar na fila do banco de forma desonesta. E para encerrar a lista de exemplos, também deve conhecer pessoas que preferem o salário mínimo para trabalhar em um lugar que detestam do que assumir a responsabilidade sobre a sua própria vida para viver sobre as suas próprias regras. Este blog é brasileiro. Eu sou brasileiro. E não podia deixar de chamar a sua atenção para o maior problema do nosso país: nós somos os corruptos de um país corrupto. Não existe mais ou menos corruptos. Existe corruptos e não corruptos. 

Coloque a mão na consciência

  • Você está atolado em dívidas, mas não resiste em refinanciar a sua casa ou o seu carro para comprar o novo iPhone ou uma televisão nova.
  • Você reclama que o preço da luz, da água ou da tevê a cabo é muito alto, mas não resiste em tirar vantagem do sistema fazendo um gato na sua casa.
  • Você critica a forma como os políticos ganham dinheiro de forma fácil, mas não resiste em fazer parte de empresas cujo modelo comercial e de expansão é baseado em pirâmide financeira.
  • Você critica a violência policial, mas não resiste em falar palavrão, gritar com seus filhos ou mesmo bater neles em repressão a algo que eles fizeram e que vai contra as normas que você estabeleceu.
  • Você critica a falta de investimento em saúde, mas não resiste em comer fast-food, ficar bêbado na balada e fumar.
  • Você critica a violência no país, mas não resiste em puxar um baseadinho no final de semana.
  • Você critica a corrupção, mas não resiste às oportunidades de tirar vantagem das outras pessoas.
  • Você critica o fato dos políticos não trabalharem bastante, mas está doido para passar naquele concurso público e entrar com uma licença médica para ficar encostado.
Sou totalmente a favor de todas as formas de protesto sem violência e acho esplêndido este momento político pelo qual estamos passando, mas para corrigir o “sistema”, nós temos que nos corrigir. O nosso governo e a forma como o nosso país funciona é um espelho do Brasil que temos dentro das nossas casas e dentro de nós.
Todas essas manifestações soam para mim como um grito de fúria e liberdade contra e a favor de si mesmo. Afinal, foi a maioria da população que escolheu o presidente, o governador, o prefeito, os deputados e vereadores que temos e é esta maioria da população que hoje se humilha em empregos que não gostam ou ocupando cargos públicos que não tem afinidade em troca de algumas moedas. Não podemos nos esquecer que no ano de 2011 a cidade de São Paulo elegeu Tiririca como o segundo deputado mais votado de toda história do Brasil, mesmo tendo ele o slogan “Vote Tiririca, pior do que tá não fica” (vídeo) demonstrando toda a sua displicência em relação a maior arma que temos: o voto. Por sorte (ou azar) Tiririca foi eleito um dos melhores deputados do ano em 2012, mas o fato é que esta“manifestação nas urnas” deixou clara para os políticos do país que a maioria da sociedade não estava nem aí para a política e que o “circo” definitivamente estava armado.
O que vemos hoje na rua são pessoas querendo corrigir de uma hora para outra décadas de descaso com a política do país. Décadas onde as prioridades do brasileiro foram feriados, futebol, carnaval e pornochanchada. Décadas onde, ano após ano, fizemos as mesmas coisas de sempre: esperamos o próximo feriadão, gastamos tubos de dinheiro no nosso próximo carro popular, adquirimos bens que não precisamos para impressionar pessoas que não gostamos, não investimos na nossa educação e, como não podia deixar de ser, “cagamos e andamos” para a nossa própria saúde até que um dia, o bacon, aquela tragada de cigarro ou o último gole de cachaça faça a diferença no nosso sistema como esses R$ 0,20 fizeram para explodir uma bomba de revolta em todo o país. Da mesma forma que não parece ser possível para você que de uma hora para outra, você saia do emprego que não gosta,  peça desculpa para aquela pessoa que você agrediu anos atrás, é também impossível para o nosso país resgatar a sobriedade e responsabilidade para com o povo em apenas uma semana. Ano que vem tem eleição e eu quero assistir quem a maioria do povo irá eleger. Nos comportaremos como o Brasil das últimas duas semanas ou como o Brasil de décadas atrás?
Continue protestando. Continue indo para as ruas. Exerça de uma vez por todas e finalmente o seu poder como parte do povo, mas por favor, não ignore aquilo que você faz dentro da sua própria vida, entre quatro paredes e quando ninguém está vendo. Leve-se a julgamento e condene-se pelos atos de covardia, hipocrisia e perversão que exerce contra si mesmo e também contra a sociedade.
E antes que você me lembre que eu não sou um exemplo de ser humano ou Deus ou Cristo para ficar aqui dando lição de moral em alguém de forma a se defender contra as minhas acusações, espero que, assim como eu, você proteste dentro e fora de si por uma pessoa, um Brasil e um mundo melhor. Coloque a mão na consciência. Somos parte do problema. No mínimo somos irresponsáveis políticamente. 
“Seja você a diferença que deseja para o mundo” ~ Gandhi

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fazer coisas incríveis

"Fazer uma única  coisa que seja verdadeiramente  incrível é muito melhor que fazer cem coisas medíocres".

domingo, 9 de junho de 2013

El Caff

Se está indo ou está em Buenos Aires, e está a fim de ouvir Tango de verdade não deixe de ir ao El Caff, um templo da boa música argentina. Ah, Caff é Club Atlético Fernandez Fierro.

O Tango e suas muitas facetas

O Tango hoje é conhecido de três formas:


  1. Em shows para turistas em San Telmo, Puerto Madero ou no Caminito. Em geral são espetáculos de musica e bailado. Este é o mais conhecido dos brasileiros. 
  2. Nas milongas típicas argentinas. Onde os hermanos se reúnem para dançar.
  3. E em espetáculos com um pé no Jazz e todo o seu improviso. Tem inicio com Astor Piazzolla e é muito bem representada pela Orquestra Fernadez Fierro

Como a vinicultura chegou a França


Antiga região da Etrúria, na península 

Quando o assunto é vinhos, a França está no topo do mundo. Suas safras regionais, como Bordeaux, Borgonha, Rhône e Champagne, são imitadas por produtores ao redor do mundo. Mas, na comparação com outros países vinicultores, a França chegou tarde a este mercado. A vinificação começou nas montanhas Zagros, no norte do Irã, no sexto milênio aC, e depois se espalhou por todo o Oriente até chegar ao Mediterrâneo. Então, como e quando o conhecimento da vinificação chegou à França? Evidências descobertas por uma equipe liderada por Patrick McGovern, da Universidade da Pensilvânia, fornecem a resposta mais detalhada até agora.
As conclusões de McGovern e sua equipe, publicadas esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, são baseadas em análises de uma antiga plataforma de pedra para prensar alimentos e de diversas jarras grandes de barro, conhecidas como ânforas e encontradas no antigo porto de Lattara, no sul da França, perto da cidade moderna de Montpellier. Muitas das ânforas encontradas em Lattara têm um design autêntico que indica que foram feitas por volta de 500aC na cidade etrusca de Cisra, que hoje corresponde à cidade italiana Cerveteri.

Ao analisar os resíduos nessas ânforas, os pesquisadores constataram que elas eram usadas para o transporte de vinho resinado com pinheiros e aromatizada com ervas. Naufrágios etruscos ao longo da costa francesa indicam que tais ânforas estavam sendo importadas para a França a partir de cerca de 625aC. Mais notavelmente, a plataforma para pressionar alimentos encontrada em Lattara, que data de cerca de 425aC, também continha resíduo de ácido tartárico, indicando que ela foi usada para pressionar uvas.
Esta é a primeira evidência de vinificação já encontrada na França. A descoberta sugere que as pessoas que viviam na costa mediterrânea da França adquiriram um gosto por vinho dos comerciantes etruscos e estabeleceram sua própria indústria a partir de cerca de 500 aC, provavelmente usando videiras e conhecimentos trazidos da Etrúria.
McGovern observou que o porão de um navio etrusco que naufragou ao longo da costa do sul da França entre 515-475aC estava cheio de videiras, juntamente com ânforas do tipo encontrado em Lattara. Isto é consistente com a teoria de que as sementes do setor vinícola da França, que agora influenciam o mundo, chegaram por mar há 2.500 anos a partir da região central da Itália.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Cuesta Abajo

+ um pouco da alma Argentina. Um tango que gosto muito, com uma orquestra magnifica. Cuesta Abajo

O Tempo

O tempo sempre determinou minhas ocupações. Associado ao sentido de urgência e importância determinou tudo o que fiz e deixei de fazer. Urgência e importância que nem sempre foram minhas. Agora estou ocupado em observar a mim próprio. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

22 vistas incríveis no topo dos edifícios mais altos do mundo

Arranha-céus, torres de TV e torres de observação estão entre os objetos mais incríveis da engenharia humana. Se você quiser enxergar o mais longe possível sem escalar uma montanha, você só precisa comprar um bilhete para o deck de observação da estrutura superalta mais próxima.

Eis o que você verá nos andares superiores de alguns dos edifícios mais altos do mundo.

Burj Khalifa, a mais alta estrutura no mundo feita pelo homem. Dubai, Emirados Árabes Unidos. 828 m.

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Fotos: Tom Olliver e Jack Zalium (topo)

A noite vista da Tokyo Skytree. Tóquio, Japão. 634 m.

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O crescente localizado no topo das Torres Abraj Al-Bait (também conhecidas como Mecca Royal Hotel Clock Tower). Meca, Arábia Saudita. 601 m.

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Foto: Wurzelgnohm/Wikimedia Commons

A Torre de televisão de Cantão. Guangzhou, China. 600 m.

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Foto: Trevor Patt

CN Tower. Toronto, Canadá. 553,3 m.

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Foto: Doc Searls

One World Observatory, no 100º andar do One World Trade Center. Nova York, EUA. 541 m.

Port Authority Offers Media Tour Of One World Trade Observatory On 100th Floor
Foto: Spencer Platt/Getty Images

Torre Ostankino de televisão. Moscou, Rússia. 540,1 m.

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Foto: Andy M.

Taipei 101. Taipei, Taiwan. 509 m.

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Foto: Matthew Wu

Panorama de Xangai e do rio Huangpu no último andar do Shanghai World Financial Center. Xangai, China. 492 m.

World Expo 2010 - Previews
Foto: Feng Li/Getty Images

International Commerce Centre. Hong Kong, China. 484 m.

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Foto: Vanishaaron

Oriental Pearl Tower. Xangai, China. 468 m.

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Foto: Attila Nagy/Gizmodo

John Hancock Center. Chicago, EUA. 457,2 m.

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As Torres Petronas. Kuala Lumpur, Malásia. 452 m.

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Torre Zifeng. Nanquim, China. 450 m.

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Empire State Building. Nova York, EUA. 449 m.

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Foto: Alex Faundez

A linha do horizonte de Chicago, com o Lago Michigan no fundo, do alto da Willis Tower (anteriormente chamada de Sears Tower). Chicago, EUA. 442 m.

Tourists Clamor For A View From The Top Of The Sears Tower
Foto: Tim Boyle/Getty Images

Kingkey 100. Shenzhen, China. 442 m.

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Foto: Trevor Patt

Torre Milad. Teerã, Irã. 435 m.

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Foto: Hansueli Krapf/Wikimedia Commons

Uma cena semelhante a Blade Runner vista da Torre Jin Mao. Xangai, China. 421,5 m.

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Foto: Attila Nagy/Gizmodo

Kuala Lumpur Tower. Kuala Lumpur, Malásia. 421 m.

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Foto: Sam Gao

Torre Al Hamra. Cidade do Kuwait, Kuwait. 413 m.

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Foto: Pedro Dash T

domingo, 19 de maio de 2013

Bercy: onde Paris é mais moderna





A passarela Simone de Beauvoir, sobre o Rio Sena, liga a Biblioteca François Miterrand a Bercy
Foto: Carla Lencastre / O Globo

A passarela Simone de Beauvoir, sobre o Rio Sena, liga a Biblioteca François Miterrand a Bercy Carla Lencastre / O Globo

Num trem dos mais modernos (sem condutor) na linha 14, você chega à nova biblioteca, à nova cinemateca (instalada em um prédio desenhado por Frank Gehry), ao lindo parque e ao minicentro comercial ao ar livre de Bercy Village. As lojas são poucas e boas, e no fim deste mês ganham a companhia de uma Fnac de três andares. Tudo isso a apenas dez minutos de uma estação central como Châtelet.PARIS - A capital francesa sempre tem uma surpresa, mesmo para visitantes frequentes. Para quem já cumpriu o roteiro turístico básico, que tal uma escapada até Bercy? A região ainda está fora de muito guia de viagem tradicional, mas na última década vem atraindo cada vez mais visitantes em busca de ângulos diferentes de Paris. A área começou a ser revitalizada nos anos 1990 e desde então não para de inventar novidade. E a melhor delas: está a apenas dez minutos de metrô do Centro da cidade.
O passeio de um dia (ou menos) pode começar na estação Bibliothèque François Miterrand. Dali, uma curta caminhada leva aos quatro modernos prédios envidraçados da Biblioteca Nacional da França, projetados por Dominique Perrault e distribuídos em uma esplanada de frente para o Rio Sena. Uma das torres tem um setor de exposições, aberto ao público. A mostra da vez, inaugurada anteontem, reúne figurinos do século XX da Ópera de Paris, com croquis de Christian Lacroix, Eugène Lacoste e Jean Cocteau, entre outros.
Logo em frente à biblioteca, na margem esquerda, onde um grupo praticava tai chi chuan à beira do rio, começa a passarela Simone de Beauvoir, somente para pedestres e ciclistas, inaugurada em 2006. Além do desenho cheio de curvas modernistas e diferente do das outras pontes sobre o Sena perto da cidade, a passarela de aço, a 37ª a atravessar o rio em Paris, é bem mais alta em um dos seu níveis (são dois, entrelaçados, o que proporciona um trecho coberto). Chega a dar um friozinho na barriga no nível mais alto, que leva direto ao lindo Parc de Bercy, com 14 hectares ao longo da margem direita. Vista deste lado do rio, no 12º arrondissement, as torres da biblioteca parecem emoldurar a passarela.
Esculturas representando 21 crianças de diversas nacionalidades estão à direita, no caminho que leva ao Bercy Village. Muitas crianças brincam enquanto adolescentes namoram, adultos correm e turistas tiram fotos. Tudo isso em um sábado frio de início de primavera. Agora no verão deve ser uma festa. O trecho do parque entre a passarela e o centro comercial, chamado de Jardim Romântico, é bem bonito: além de esculturas variadas, tem lagos com peixes e patos, pontes, flores. E os trilhos por onde passavam os vagões carregando barris de vinho estão à vista nos caminhos pavimentados. Porque essa é a origem da região e de Bercy Village.
Nesta área de viticultores nas franjas da cidade, os galpões de pedra do Village armazenavam a bebida, no século XIX. As casas que serviam ao negócio do vinho (onde os produtores pagavam suas taxas, por exemplo), hoje estão voltadas para atividades botânicas e culturais. Os galpões, restaurados, guardam lojas bacanas. Entre elas, estão La Cure Gourmande, de biscoitos amanteigados em lindas embalagens; Alice Délice, de utensílios para cozinha; Loisirs & Créations, com material para desenho, pintura, costura e jardinagem; Arteum, uma galeria de arte atualmente com vários trabalhos de Tim Burton, como fotos e desenhos numerados feitos pelo cineasta americano para os seus filmes; agnès b., elegante grife francesa de roupas femininas e masculinas, além das que dispensam apresentações, como Sephora e Olive & Co. — sendo que esta tem azeites diferentes que ainda não chegaram ao Rio. E a Fnac, claro, que será inaugurada no próximo dia 29.
Tim Burton entre entre as lojas e os restaurantes de Bercy Village
Os restaurantes de Bercy Village seguem a mesma linha das lojas. Não são muitos, mas são interessante: há uma padaria, loja de doces e bistrô do badalado padeiro Eric Kayser, inaugurado em fevereiro deste ano; um tradicional Hippopotamus, com suas carnes grelhadas e hambúrgueres corretos — a novidade é um com pimenta de espelete, do País Basco; uma creperia bretã, La Compagnie des Crêpes, entre outros. O Village tem ainda cinemas e uma academia de ginástica, onde na parede de pedra se vê um relevo lembrando a origem do lugar como armazém de vinhos.
Mas antes de compras, comes e bebes, siga pelas ruas François Truffaut e Paul Belmondo até o novo endereço da Cinemateca Francesa, instalada desde 2005 em um prédio assimétrico com as indefectíveis curvas do star architect Frank Gehry. Até 5 de agosto, está em cartaz uma exposição sobre Tim Burton, a mesma que esteve no Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York há dois anos. É imperdível para quem aprecia o trabalho do cineasta, ou simplesmente gosta de cinema.
De volta ao Bercy Village, curta um pouco mais o parque e aproveite sem pressa o restante do dia. Na hora de ir embora, é só pegar o metrô na estação Cour Saint-Émillon, também da linha 14, que é praticamente dentro do centro comercial. Em dez minutos você está de volta ao Centro de Paris. Ou não. Há alguns hotéis confortáveis na região, como o Pullman Paris Bercy, da rede Accor, e o Kyriad Hotel, ambos bem perto de Bercy Village e da estação do metrô.
Bibliothèque Nationale de France: A exposição "L’étoffe de la modernité. Costumes du XXe siècle à l’Opéra de Paris" pode ser vista diariamente, das 10h às 17h. Ingressos: 9. Quai François Mauriac. Metrô: Bibliothèque François Miterrand. bnf.fr
Parc de Bercy: Aberto diariamente, a partir das 9h. Metrô: Cour Saint-Émillion.
Bercy Village: As lojas abrem diariamente das 11h às 21h. Os restaurantes funcionam até as 2h. Metrô: Cour Saint-Émillion. bercyvillage.com
Cinémathèque Française: “Tim Burton, l’exposition” pode ser vista às segundas e quartas-feiras, das 12h às 19h, e às quintas e sextas, das 12h às 20h. Aos sábados e domingos e a partir de 4 de julho, aberta das 10h às 20h diariamente, com exceção das terças-feiras. Ingresso: 11 euros. 51 Rue de Bercy. Metrô: Bercy. cinematheque.fr
Pullman Paris Bercy: Diárias a parte de 166 euros. 1 Rue de Libourne. Metrô: Cour Saint-Émillion. accorhotels.com
Kyriad Hotel Paris Bercy Village: Diárias a partir de 110 euros. 19 Rue Baron le Roy. Metrô: Cour Saint-Émillion. bercykyriad.com

As melhores baguetes e o primeiro bistrô de Paris em MontmartreP






Escadarias da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, principal cartão-postal do bairro que é cheio de padarias e bistrôs deliciosos
Foto: Bruno Agostini / O Globo

Escadarias da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, principal cartão-postal do bairro que é cheio de padarias e bistrôs deliciosos

P
ARIS - Fernando Pessoa escreveu certa vez: "Saudades, só portugueses/ Conseguem senti-las bem/ Porque têm essa palavra/ Para dizer que as têm". Um raciocínio semelhante pode ser aplicado ao verbo flanar, expressão criada por outro escritor, o francês Baudelaire: flanar de verdade só é possível em Paris, cidade onde foi criado o termo. Montmartre e Belleville, espalhados pelos 18º, 19º e 20º arrondissements, são dois bairros ótimos para praticar a arte de andar sem rumo, subindo ladeiras e escadas, desvendando novos ângulos da capital francesa, descobrindo padarias que servem algumas melhores baguetes de Paris, restaurantes étnicos, lojas de design e galerias de arte, além de endereços históricos, como La Mére Catherine, onde teria nascido outra palavra imensamente relevante para os gauleses, bistrô, e o café Aux Folies, frequentado por ninguém menos que Edith Piaf.
Montmartre, mais especificamente a Rue des Abbesses, é um dos melhores lugares de Paris para se começar um dia de maneira muito parisiense. Isso porque estão ali algumas das melhores boulangeries da capital francesa, como Le Grenier à Pain, Coquelicot, La Flûte de Pain e Au Levain d’Antan — este último é o atual campeão do concurso de melhor baguete de Paris, que faz dele o fornecedor oficial do Palácio do Eliseu, residência do casal Nicolas Sarkozy e Carla Bruni (a Rue de Abbesses é bicampeã na acirrada disputa, já que Le Grenier à Pain venceu em 2010). Portanto, passear por Montmartre é uma ótima razão para dispensar o café da manhã do hotel. Não apenas pela qualidade de suas padarias, mas também pela enorme oferta de lojas de alimentos, tanto "traiteurs" que vendem pratos prontos, quanto as casas especializadas (em queijos, em vinhos, em pescados...).
Depois de comprar uma bela baguete, croissant ou brioche, ou mesmo os três, podemos sair em busca de queijos, geleias, embutidos, pastinhas e outros recheios que a nossa imaginação permitir pelas lojinhas da Rue de Abbesses, mais saboroso ponto de partida para um passeio por Montmartre. Gostoso e prático, já que a estação Abbesses do metrô — em ponto central, facilmente alcançada a partir de diversas linhas — está logo ali, a poucos passos dessa coleção de lugares deliciosos. Para achar a padaria Le Grenier à Pain basta ficar atento à fila, que está sempre à porta.
O imenso gramado, a menos de dez minutos de caminhada a partir dali, que desce as encostas da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre é um convite irresistível para esticar a toalha e fazer um piquenique matinal — há vários banquinhos de madeira, com linda vista da cidade, que também são muito próprios para isso.
Montmartre é um bairro repleto de imigrantes, daí a quantidade imensa de restaurantes étnicos: há endereços chineses, tailandeses, tibetanos, cambojanos, indianos, húngaros, italianos, gregos... Nos arredores da Rue de Abbesses, e na própria, charmosamente calçada com paralelepípedos, encontramos uma babel gastronômica, com pratos autênticos e a bons preços, preparados por cozinheiros nativos desses lugares.
Muitos desses endereços são especializados em comida pronta, os "traiteurs", um achado para os que planejam um piquenique por aqueles lados: numa pequena área da Rue des Abbesses encontramos um traiteur asiático, chamado Shanghai; um outro italiano, La Bottega di Piacenza, e outro grego, a Pelops — além de uma bela "charcuterie", a Nathalie et Christian Durand; uma casa de chás, a Kusmi Paris; e uma loja de queijos, Les Fromages de Marie, com uma admirável coleção de exemplares de diversas regiões da França, e outras vitrines tentadores, que exibem vistosos sanduíches (tem cada croque monsieur lindíssimo), frangos assando lentamente (há uma casa especializada em aves, a Chicken Family), embutidos pendurados, peixarias (na Pepone, que prepara uma famosa sopa de pescados, é possível comprar peixes e frutos do mar vistosos; para as ostras, basta um limão para uma bela brincadeira ao ar livre), açougues (a Jack Gaudin vale a visita), mercadinhos com frutas vistosas, cafés, brasseries, bistrôs...
Amantes das ostras, aliás, encontram um porto seguro na tradicional La Mascotte, um bar especializado em peixes e frutos do mar, que tem sempre uma ótima seleção delas, exposta do lado de fora. Com tamanha concentração de endereços gastronômicos, a Rue des Abbesses (e a Rue Lepic, sua continuação) é um paraíso gourmet, mas os turistas ainda não descobriram isso, e é difícil ouvir outras línguas que não o francês num passeio por ali — sim, Montmartre é um bairro bastante turístico, mas apenas o eixo Sacré Coeur-Praça do Tertre. A parte baixa é quase que inteiramente dos parisienses.
Um ótimo lugar para um aperitivo depois do café da manhã em forma de piquenique e antes do almoço, na parte alta de Montmartre, é o bar de vinhos e loja Caves des Abbesses, que tem uma ótima seleção de rótulos (quem só quer comprar uma ou mais garrafas tem, ainda, pelo menos mais duas lojas ali, a onipresente Nicolas e a De Verre en Vers). Para os dias mais quentes, duas mesinhas do lado de fora convidam a ficar por ali, bebericando ao sabor de pratos de petiscos, com queijos, embutidos e conservas. No frio, nos fundos da loja há um pequeno e acolhedor salão, com algumas mesas. Para um bom "gelato", a Amorino — provavelmente a rede de sorveterias que mais cresce no mundo — serve uma ótima seleção deles, feitos sem conservantes e corantes, no estilo italiano, usando leite fresco e ovos "biô".
Montmartre não é nenhum Marais, mas existe ali um comércio moderninho, com algumas galerias de arte e lojinhas de roupas e objetos que agradam em cheio à turma que curte design e afins, como a Pylones e a Kiehl’s, uma marca de produtos de beleza muito fashion. Os amantes da gastronomia encontram diversão garantida na Ets Lion, ainda na Rue des Abbesses. Inaugurada em 1895 é loja de produtos alimentícios, como ervas, geleias e objetos de culinária e decoração de cozinhas, como velas, potes e travessas, além de plantas, sementes e material para jardinagem. Dá para ficar um longo tempo, olhando e comprando, olhando e comprando...
Ainda que o maior burburinho artístico esteja na parte alta do bairro, passeio que deixamos para a parte da tarde (leia mais na página seguinte), na Rue des Abbesses e cercanias também encontramos algumas boas galerias, como a Tableaux e a W Eric Landau. A Yellow Korner é uma imperdível galeria de arte dedicada exclusivamente à fotografia, com uma incrível seleção de imagens, entre registros clássicos de artistas famosos e importantes agências de imagens (como a americana Keystone) a novos talentos nessa área. Dá vontade de encher a parede de casa com essas imagens. Há por ali, ainda, algumas lojas de suvenires com peças bastante interessantes, como a Montmartre Je t’aime, e até uma casa especializada em objetos angelicais, La Boutique des Anges, onde encontramos tudo o que se possa imaginar relacionado ao tema, de envelopes para cartas e abajures, passando por ímãs de geladeira, velas e toda a sorte de imagens (quadro, gravuras etc). Ainda na linha loja temática, na Rue Tardieu, no caminho para a Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, encontramos uma casa especializada em frascos de perfume e talco, e assemelhados, a Belle de Jour, que reproduz, restaura e vende essas peças.
Para se chegar à parte alta do bairro há pelo menos três possibilidades: usar o trenzinho branco que circula por Montmartre (com saída e chegada da Place Blanche, bem próxima à Rue des Abbesses), subir pelo funicular que está aos pés da igreja ou, então, encarar os degraus da escadaria, num programa relativamente cansativo, mas que revela aos poucos lindos ângulos de Paris.
Um almoço no primeiro ‘bistrot’
Depois de subir as escadarias da linda Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, a fome bateu. Enquanto saboreava um "oeuf cocotte au foie gras" eu esperava o meu prato principal, um parmentier de canard, espécie de escondidinho de pato à moda francesa. Na taça, um Bordeaux 2008, do Château Sainte Catherine. No salão de teto baixo do restaurante La Mère Catherine, na parte alta de Montmartre, um casal interpretava clássicos do cancioneiro popular francês, ele ao piano, ela deslizando de mesa em mesa, apresentando um repertório conhecido. Eis que a cantora se vira para mim, pega na minha mão, e canta, em tom claramente piedoso, como quem tivesse pena desse turista solitário em um domingo frio e chuvoso. "Quand il me prend dans ses bras/ Il me parle tout bas/ Je vois la vie en rose/ Il me dit des mots d’amour". "La vie en rose": impossível não sorrir, de vergonha e de alegria. Em seguida ela partiu para a mesa ao lado, onde pôde dividir o seu repertório com clientes da casa, parisienses legítimos que sabiam todas as letras de cor e salteado, porque Montmartre é um bairro muito particular da capital francesa: mistura, como nenhum outro, talvez em iguais proporções, moradores locais e turistas (mas só nessa parte alta).
Não demorou muito para o garçom chegar com o meu pedido, um parmentier admirável em todo o seu esplendor franciscano: comida simples, muito saborosa e reconfortante, uma receita bastante apropriada para aquela tarde fria de dezembro. Em seguida, para fechar, uma tarte tatin devidamente escoltada por um Bas-Armagnac 1976, completando o menu da casa que eu havia escolhido, a razoáveis 36 euros por pessoa.
O La Mère Catherine é um clássico parisiense, fundado em 1793. Reza a lenda que o termo "bistrot" teria sido criado ali, em 1814, pelos cossacos russos, que famintos entraram no restaurante gritando "Bistro, bistro", que significa "rápido", na língua de Dostoiévski. Verdade ou mentira, o fato é que o La Mère Catherine é um restaurante altamente recomendável: foi sugerido tanto pelo guia (de papel) que levei comigo na viagem quanto pelo concièrge do classudo hotel Le Meurice, que nem pestanejou quando pedi uma sugestão de almoço em Montmartre.
— O Moulin de la Galette é ótimo, e tem feito muito sucesso com o público interessado em gastronomia. Mas eu diria que o melhor restaurante ali, considerando a qualidade da comida, o ambiente e a história do lugar, é o La Mère Catherine. O senhor vai gostar, posso garantir — disse o solícito rapaz.
— Reserva o La Mére Catherine para mim? — foi a minha pronta resposta, e de fato tive momentos muito saborosos e felizes ali. Merci, monsieur.
O restante já sabemos. Além dos atributos gastronômicos, arquitetônicos e históricos, o La Mère Catherine reserva ainda outro: o geográfico. O restaurante está localizado na pequenina e charmosa Place du Tertre, onde encontramos uma imagem típica de Paris, que já quase não se vê mais em outros pontos da cidade: são os artistas de boina pintando ao ar livre.
É bem verdade que nem todos usam qualquer cobertura para a cabeça, nem cultivam um bigodinho impecável, como no imaginário coletivo, estereótipo do pintor francês, mas a cena é absolutamente parisiense, inclusive pela boa quantidade de turistas, que posam para os retratos feitos na hora, que podem ser, ou não, um belo suvenir. Passear por ali é uma ótima pedida para depois do almoço. E quem quiser pode investir entre 20 euros e 50 euros, e levar para casa um desenho, que pode ser uma divertida caricatura ou retrato mais fiel à realidade, seguindo as mais diversas escolas artísticas e estilos. Ah, sim: você também pode levar uma fotografia de alguém querido para ser reproduzida pelos artistas, uma espécie de "Estive em Paris e lembrei de você" (em versão très chic).
Como catalisadora de pintores, a praça também atrai galerias de arte, como a Montmartre, com uma chamativa fachada vermelha, espécie de posto avançado do Espace Dalí, um museu e loja dedicado ao artista espanhol, que está a poucos passos dali e pode ser uma ótima opção de passeio para se fazer a digestão. É possível levar para casa pinturas e esculturas, em edições limitadas, e toda a sorte de objetos e suvenires de Dalí.
Para continuar o tour pela História da Arte, que tem no bairro um importante e eterno ponto de referência, uma curta caminhada conduz até a pequena Rue Ravignan, onde está, no número 13, o Bateau Lavoir, na Place Emile Goudeau, antiga residência, no início do século passado, de artistas, como Pablo Picasso (que viveu ali entre 1900 e 1904), Max Jacob, Henri Matisse, Georges Braque e Amedeo Modigliani, escritores, como Jean Cocteau, além de atores, marchands...
Dali vale esticar a caminhada pelas ruas adjacentes, como Avenue Junot (uma das mais caras de Paris), a Rue Norvins, a Rue Girardon e a Rue Caulaincourt. Ou andar sem rumo, flanando, observando os prédios antigos e os jardins, as pessoas voltando pra casa com a baguete debaixo do braço, os donos passeando com os seus cachorros. A vida como ela é, porque em Paris o cotidiano parece mais belo e glamouroso.
Para encerrar o dia, um programa fofo e bastante turístico é jantar no Les Deux Moulins, famoso por ter sido cenário do filme "O fabuloso destino de Amélie Poulin". A comida não está entre as mais respeitáveis, vale mais para beber uma tacinha de vinho. Melhor mesmo é seguir até o Le Miroir, talvez o melhor restaurante de Montmartre. Só não se esqueça de reservar a sua mesa, porque muita gente sabe disso, inclusive os turistas e os guias de viagem.
Encerrar com o jantar? Só quem quiser. Porque duas das casas de shows mais famosas de Paris estão por ali. O Moulin Rouge fica perto do Le Miroir. E o Au Lapin Agile, outro ícone entre os cabarés parisienses, não8 está muito longe, mas é bom pegar um táxi. Basta escolher.
Serviço:
Restaurantes
La Mère Catherine: Place du Tertre 6. Tel. 4606-3269.lamerecatherine.com
Moulin de la Galette: Rue des Moulins 15. Tel. 3980-6955.moulindelagalette.fr
Le Miroir: Rue des Martyrs 94. Tel. 4606-5073.
Les Deux Moulins: Rue Lepic 15. Tel. 4254-9050.
Padarias
Le Grenier à Pain: Rue des Abbesses 38. Tel. 4606-4181.legrenierapain.com
Au Levain d’Antan: Rue des Abbesses 6. Tel. 4264-97 83.
Coquelicot: Rue des Abbesses 24. Tel. 4606-1877. coquelicot-montmartre.com
Traiteurs
La Bottega di Piacenza: Rue des Abbesses 53. Tel. 4492-9099.
Shanghai: Rue des Abbesses 50. Tel. 4264-3658.
Pelops: Rue des Abbesses 44. Tel. 5328-2669.
Nathalie et Christian Duran: Rue des Abbesses 30. Tel. 4606-4435.
Lojas
Les Fromages de Marie: Rue des Abbesses 32.
La Cave des Abbesses: Rue des Abbesses 43. Tel. 4252-8154.cavesbourdin.fr
Ets Lion: Rue des Abbeses 7. Tel. 4606-6471. epicerie-lion.fr
Yellow Korner: Rue des Abbesses 44. Tel. 4258-3128.fr.yellowkorner.com
Kusmi Tea: Rue des Abbesses 38. Tel. -4278-1196. kusmitea.com
La Boutique des Anges: Rue Yvonne le Tac 2. Tel. 4257-7438.boutiquedesanges.fr
Belle de Jour: Rue Tardieu 7. Tel. 4606-1528. belle-de-jour.fr
Passeios
La Basilique du Sacré Coeur de Montmartre: A entrada é gratuita, e fotos são proibidas. Vale a pena subir até a cripta para ter um dos mais lindos panoramas de Paris (das 9h às 19h; no inverno, até as 18h). O templo fica aberto das 6h até as 22h30m (entrada permitida até as 22h15m). Rue du Chevalier de la Barre 35. Tel. 5341-8900. sacre-coeur-montmartre.com
Espace Dalí: O ingresso custa 11 euros. Rue Poulbot 11. Tel. 4264-4010.daliparis.com
Le Petit Train de Montmartre: O trenzinho simpático circula pelo bairro em tour que dura aproximadamente 40 minutos, com partida e chegada da Place Blanche, e passando por pontos turísticos como a Place du Tertre, o Espace Dalí, a basílica e o cemitério de Montmartre. O passeio, ida e volta, custa 6 euros. Tel. 4262-5030. promotrain.fr
Casas de shows
Moulin Rouge: Só o show custa 95 euros (há preços combinados com jantar, podendo chegar até 200 euros, o chamado menu Belle Époque. Boulevard du Clichy 82. Tel. 5309-8282. moulinrouge.fr
Au Lapin Agile: O ingresso custa 24 euros, com direito a uma bebida. Rue Saules 22. Tel. 4606-8587. au-lapin-agile.com

Hora do drinque no país do vinho




O animado bar Little Red Door, em Paris
Foto: Divulgação / Little Red Door
O animado bar Little Red Door, em Paris
PARIS - Depois dos hambúrgueres fait maison, de produção artesanal, Paris foi seduzida pela moda dos bares de coquetéis. Além do Candelaria, já citado aqui em outra ocasião, novos endereços têm surgido com inventivos menus de bebidas e ambientes para diferentes paladares e tribos. O Le Coq (12 Rue du Château d’Eau) é uma criação do britânico Tony Conigliaro, conhecido como “druida do coquetel”, dono do The Bar with No Name (“O bar sem nome”), em Londres, associado a dois franceses. Seus drinques se inspiram na cozinha molecular. Entre os mais pedidos, o les fleurs du mal mistura vodca à la rose, suco de limão, absinto e casca de laranja. No décor retrô 1960-70, no qual se sobressai uma enorme imagem em preto e branco da cantora Françoise Hardy, impera uma trilha pop-rock, de Ramones a Roxy Music.
No Little Red Door (60 Rue Charlot) entra-se por uma pequena porta vermelha num espaço moderno, de paredes de tijolos, dominado por bancos estofados e cadeiras de variadas cores, embalado por sonoridades a cargo de diferentes DJs. Os drinques estão à escolha num menu de poucas opções, mas bem dosado entre o doce e o amargo.
O acesso ao Ballroom pode ser feito após a degustação de uma suculenta carne no Beef Club, no número 58 da Rue Jean-Jacques Rousseau, ou pela porta ao lado, no número 52 da mesma rua. O bar é um subsolo trendy, com clima chique-despretensioso e reputado pela qualidade de seus drinques, como o Pondichéry mule, de vodca com infusão de cardomomo.
O Sherry Butt (20 Rue Beautreillis) propõe velhos uísques e bebidas raras em um ambiente de loft moderno com toque barroco.
No Le Maria Loca (31 Boulevard Henri IV), invenção de quatro amigos — Mike, Guillaume, Laurent e Max — que viajaram pelo mundo em busca de novas aventuras, a especialidade é o rum e a cachaça, com mais de cem referências, algumas delas raríssimas.
Por fim, o Le Glass (7 Rue Frochot) é um Candelaria-bis no bairro de Pigalle, um bar rock com cachorro-quente biô e novas receitas de coquetéis.
Bares dedicados à cerveja também em alta
Para os amantes de cerveja, a dica é o La Fine Mousse (6 Avenue Jean-Aicard), com 20 opções de marcas artesanais, servidas na pressão. Como alternativa, a casa oferece ainda 150 diferentes cervejas em garrafas, de diferentes países e sabores.
No Paris Saint Bière (101 Rue de Charonne), cujo dono é um tunisino fã de cerveja, Fathi Tebib, pode-se degustar mais de 300 marcas, até 4h da manhã (incluindo a Celtia, da Tunísia).
Já Thierry Roche produz suas próprias cervejas na Brasserie de la Goutte d’Or (28 Rue da Goutte d’Or). O negócio começou graças a um sistema decrowdfunding via internet, pelo qual Roche arrecadou € 8.500 (cerca de R$ 22 mil) de 176 pessoas para ajudar a financiar o seu projeto.