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domingo, 9 de junho de 2013

Como a vinicultura chegou a França


Antiga região da Etrúria, na península 

Quando o assunto é vinhos, a França está no topo do mundo. Suas safras regionais, como Bordeaux, Borgonha, Rhône e Champagne, são imitadas por produtores ao redor do mundo. Mas, na comparação com outros países vinicultores, a França chegou tarde a este mercado. A vinificação começou nas montanhas Zagros, no norte do Irã, no sexto milênio aC, e depois se espalhou por todo o Oriente até chegar ao Mediterrâneo. Então, como e quando o conhecimento da vinificação chegou à França? Evidências descobertas por uma equipe liderada por Patrick McGovern, da Universidade da Pensilvânia, fornecem a resposta mais detalhada até agora.
As conclusões de McGovern e sua equipe, publicadas esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, são baseadas em análises de uma antiga plataforma de pedra para prensar alimentos e de diversas jarras grandes de barro, conhecidas como ânforas e encontradas no antigo porto de Lattara, no sul da França, perto da cidade moderna de Montpellier. Muitas das ânforas encontradas em Lattara têm um design autêntico que indica que foram feitas por volta de 500aC na cidade etrusca de Cisra, que hoje corresponde à cidade italiana Cerveteri.

Ao analisar os resíduos nessas ânforas, os pesquisadores constataram que elas eram usadas para o transporte de vinho resinado com pinheiros e aromatizada com ervas. Naufrágios etruscos ao longo da costa francesa indicam que tais ânforas estavam sendo importadas para a França a partir de cerca de 625aC. Mais notavelmente, a plataforma para pressionar alimentos encontrada em Lattara, que data de cerca de 425aC, também continha resíduo de ácido tartárico, indicando que ela foi usada para pressionar uvas.
Esta é a primeira evidência de vinificação já encontrada na França. A descoberta sugere que as pessoas que viviam na costa mediterrânea da França adquiriram um gosto por vinho dos comerciantes etruscos e estabeleceram sua própria indústria a partir de cerca de 500 aC, provavelmente usando videiras e conhecimentos trazidos da Etrúria.
McGovern observou que o porão de um navio etrusco que naufragou ao longo da costa do sul da França entre 515-475aC estava cheio de videiras, juntamente com ânforas do tipo encontrado em Lattara. Isto é consistente com a teoria de que as sementes do setor vinícola da França, que agora influenciam o mundo, chegaram por mar há 2.500 anos a partir da região central da Itália.

domingo, 19 de maio de 2013

Bercy: onde Paris é mais moderna





A passarela Simone de Beauvoir, sobre o Rio Sena, liga a Biblioteca François Miterrand a Bercy
Foto: Carla Lencastre / O Globo

A passarela Simone de Beauvoir, sobre o Rio Sena, liga a Biblioteca François Miterrand a Bercy Carla Lencastre / O Globo

Num trem dos mais modernos (sem condutor) na linha 14, você chega à nova biblioteca, à nova cinemateca (instalada em um prédio desenhado por Frank Gehry), ao lindo parque e ao minicentro comercial ao ar livre de Bercy Village. As lojas são poucas e boas, e no fim deste mês ganham a companhia de uma Fnac de três andares. Tudo isso a apenas dez minutos de uma estação central como Châtelet.PARIS - A capital francesa sempre tem uma surpresa, mesmo para visitantes frequentes. Para quem já cumpriu o roteiro turístico básico, que tal uma escapada até Bercy? A região ainda está fora de muito guia de viagem tradicional, mas na última década vem atraindo cada vez mais visitantes em busca de ângulos diferentes de Paris. A área começou a ser revitalizada nos anos 1990 e desde então não para de inventar novidade. E a melhor delas: está a apenas dez minutos de metrô do Centro da cidade.
O passeio de um dia (ou menos) pode começar na estação Bibliothèque François Miterrand. Dali, uma curta caminhada leva aos quatro modernos prédios envidraçados da Biblioteca Nacional da França, projetados por Dominique Perrault e distribuídos em uma esplanada de frente para o Rio Sena. Uma das torres tem um setor de exposições, aberto ao público. A mostra da vez, inaugurada anteontem, reúne figurinos do século XX da Ópera de Paris, com croquis de Christian Lacroix, Eugène Lacoste e Jean Cocteau, entre outros.
Logo em frente à biblioteca, na margem esquerda, onde um grupo praticava tai chi chuan à beira do rio, começa a passarela Simone de Beauvoir, somente para pedestres e ciclistas, inaugurada em 2006. Além do desenho cheio de curvas modernistas e diferente do das outras pontes sobre o Sena perto da cidade, a passarela de aço, a 37ª a atravessar o rio em Paris, é bem mais alta em um dos seu níveis (são dois, entrelaçados, o que proporciona um trecho coberto). Chega a dar um friozinho na barriga no nível mais alto, que leva direto ao lindo Parc de Bercy, com 14 hectares ao longo da margem direita. Vista deste lado do rio, no 12º arrondissement, as torres da biblioteca parecem emoldurar a passarela.
Esculturas representando 21 crianças de diversas nacionalidades estão à direita, no caminho que leva ao Bercy Village. Muitas crianças brincam enquanto adolescentes namoram, adultos correm e turistas tiram fotos. Tudo isso em um sábado frio de início de primavera. Agora no verão deve ser uma festa. O trecho do parque entre a passarela e o centro comercial, chamado de Jardim Romântico, é bem bonito: além de esculturas variadas, tem lagos com peixes e patos, pontes, flores. E os trilhos por onde passavam os vagões carregando barris de vinho estão à vista nos caminhos pavimentados. Porque essa é a origem da região e de Bercy Village.
Nesta área de viticultores nas franjas da cidade, os galpões de pedra do Village armazenavam a bebida, no século XIX. As casas que serviam ao negócio do vinho (onde os produtores pagavam suas taxas, por exemplo), hoje estão voltadas para atividades botânicas e culturais. Os galpões, restaurados, guardam lojas bacanas. Entre elas, estão La Cure Gourmande, de biscoitos amanteigados em lindas embalagens; Alice Délice, de utensílios para cozinha; Loisirs & Créations, com material para desenho, pintura, costura e jardinagem; Arteum, uma galeria de arte atualmente com vários trabalhos de Tim Burton, como fotos e desenhos numerados feitos pelo cineasta americano para os seus filmes; agnès b., elegante grife francesa de roupas femininas e masculinas, além das que dispensam apresentações, como Sephora e Olive & Co. — sendo que esta tem azeites diferentes que ainda não chegaram ao Rio. E a Fnac, claro, que será inaugurada no próximo dia 29.
Tim Burton entre entre as lojas e os restaurantes de Bercy Village
Os restaurantes de Bercy Village seguem a mesma linha das lojas. Não são muitos, mas são interessante: há uma padaria, loja de doces e bistrô do badalado padeiro Eric Kayser, inaugurado em fevereiro deste ano; um tradicional Hippopotamus, com suas carnes grelhadas e hambúrgueres corretos — a novidade é um com pimenta de espelete, do País Basco; uma creperia bretã, La Compagnie des Crêpes, entre outros. O Village tem ainda cinemas e uma academia de ginástica, onde na parede de pedra se vê um relevo lembrando a origem do lugar como armazém de vinhos.
Mas antes de compras, comes e bebes, siga pelas ruas François Truffaut e Paul Belmondo até o novo endereço da Cinemateca Francesa, instalada desde 2005 em um prédio assimétrico com as indefectíveis curvas do star architect Frank Gehry. Até 5 de agosto, está em cartaz uma exposição sobre Tim Burton, a mesma que esteve no Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York há dois anos. É imperdível para quem aprecia o trabalho do cineasta, ou simplesmente gosta de cinema.
De volta ao Bercy Village, curta um pouco mais o parque e aproveite sem pressa o restante do dia. Na hora de ir embora, é só pegar o metrô na estação Cour Saint-Émillon, também da linha 14, que é praticamente dentro do centro comercial. Em dez minutos você está de volta ao Centro de Paris. Ou não. Há alguns hotéis confortáveis na região, como o Pullman Paris Bercy, da rede Accor, e o Kyriad Hotel, ambos bem perto de Bercy Village e da estação do metrô.
Bibliothèque Nationale de France: A exposição "L’étoffe de la modernité. Costumes du XXe siècle à l’Opéra de Paris" pode ser vista diariamente, das 10h às 17h. Ingressos: 9. Quai François Mauriac. Metrô: Bibliothèque François Miterrand. bnf.fr
Parc de Bercy: Aberto diariamente, a partir das 9h. Metrô: Cour Saint-Émillion.
Bercy Village: As lojas abrem diariamente das 11h às 21h. Os restaurantes funcionam até as 2h. Metrô: Cour Saint-Émillion. bercyvillage.com
Cinémathèque Française: “Tim Burton, l’exposition” pode ser vista às segundas e quartas-feiras, das 12h às 19h, e às quintas e sextas, das 12h às 20h. Aos sábados e domingos e a partir de 4 de julho, aberta das 10h às 20h diariamente, com exceção das terças-feiras. Ingresso: 11 euros. 51 Rue de Bercy. Metrô: Bercy. cinematheque.fr
Pullman Paris Bercy: Diárias a parte de 166 euros. 1 Rue de Libourne. Metrô: Cour Saint-Émillion. accorhotels.com
Kyriad Hotel Paris Bercy Village: Diárias a partir de 110 euros. 19 Rue Baron le Roy. Metrô: Cour Saint-Émillion. bercykyriad.com

As melhores baguetes e o primeiro bistrô de Paris em MontmartreP






Escadarias da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, principal cartão-postal do bairro que é cheio de padarias e bistrôs deliciosos
Foto: Bruno Agostini / O Globo

Escadarias da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, principal cartão-postal do bairro que é cheio de padarias e bistrôs deliciosos

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ARIS - Fernando Pessoa escreveu certa vez: "Saudades, só portugueses/ Conseguem senti-las bem/ Porque têm essa palavra/ Para dizer que as têm". Um raciocínio semelhante pode ser aplicado ao verbo flanar, expressão criada por outro escritor, o francês Baudelaire: flanar de verdade só é possível em Paris, cidade onde foi criado o termo. Montmartre e Belleville, espalhados pelos 18º, 19º e 20º arrondissements, são dois bairros ótimos para praticar a arte de andar sem rumo, subindo ladeiras e escadas, desvendando novos ângulos da capital francesa, descobrindo padarias que servem algumas melhores baguetes de Paris, restaurantes étnicos, lojas de design e galerias de arte, além de endereços históricos, como La Mére Catherine, onde teria nascido outra palavra imensamente relevante para os gauleses, bistrô, e o café Aux Folies, frequentado por ninguém menos que Edith Piaf.
Montmartre, mais especificamente a Rue des Abbesses, é um dos melhores lugares de Paris para se começar um dia de maneira muito parisiense. Isso porque estão ali algumas das melhores boulangeries da capital francesa, como Le Grenier à Pain, Coquelicot, La Flûte de Pain e Au Levain d’Antan — este último é o atual campeão do concurso de melhor baguete de Paris, que faz dele o fornecedor oficial do Palácio do Eliseu, residência do casal Nicolas Sarkozy e Carla Bruni (a Rue de Abbesses é bicampeã na acirrada disputa, já que Le Grenier à Pain venceu em 2010). Portanto, passear por Montmartre é uma ótima razão para dispensar o café da manhã do hotel. Não apenas pela qualidade de suas padarias, mas também pela enorme oferta de lojas de alimentos, tanto "traiteurs" que vendem pratos prontos, quanto as casas especializadas (em queijos, em vinhos, em pescados...).
Depois de comprar uma bela baguete, croissant ou brioche, ou mesmo os três, podemos sair em busca de queijos, geleias, embutidos, pastinhas e outros recheios que a nossa imaginação permitir pelas lojinhas da Rue de Abbesses, mais saboroso ponto de partida para um passeio por Montmartre. Gostoso e prático, já que a estação Abbesses do metrô — em ponto central, facilmente alcançada a partir de diversas linhas — está logo ali, a poucos passos dessa coleção de lugares deliciosos. Para achar a padaria Le Grenier à Pain basta ficar atento à fila, que está sempre à porta.
O imenso gramado, a menos de dez minutos de caminhada a partir dali, que desce as encostas da Basilique du Sacré Coeur de Montmartre é um convite irresistível para esticar a toalha e fazer um piquenique matinal — há vários banquinhos de madeira, com linda vista da cidade, que também são muito próprios para isso.
Montmartre é um bairro repleto de imigrantes, daí a quantidade imensa de restaurantes étnicos: há endereços chineses, tailandeses, tibetanos, cambojanos, indianos, húngaros, italianos, gregos... Nos arredores da Rue de Abbesses, e na própria, charmosamente calçada com paralelepípedos, encontramos uma babel gastronômica, com pratos autênticos e a bons preços, preparados por cozinheiros nativos desses lugares.
Muitos desses endereços são especializados em comida pronta, os "traiteurs", um achado para os que planejam um piquenique por aqueles lados: numa pequena área da Rue des Abbesses encontramos um traiteur asiático, chamado Shanghai; um outro italiano, La Bottega di Piacenza, e outro grego, a Pelops — além de uma bela "charcuterie", a Nathalie et Christian Durand; uma casa de chás, a Kusmi Paris; e uma loja de queijos, Les Fromages de Marie, com uma admirável coleção de exemplares de diversas regiões da França, e outras vitrines tentadores, que exibem vistosos sanduíches (tem cada croque monsieur lindíssimo), frangos assando lentamente (há uma casa especializada em aves, a Chicken Family), embutidos pendurados, peixarias (na Pepone, que prepara uma famosa sopa de pescados, é possível comprar peixes e frutos do mar vistosos; para as ostras, basta um limão para uma bela brincadeira ao ar livre), açougues (a Jack Gaudin vale a visita), mercadinhos com frutas vistosas, cafés, brasseries, bistrôs...
Amantes das ostras, aliás, encontram um porto seguro na tradicional La Mascotte, um bar especializado em peixes e frutos do mar, que tem sempre uma ótima seleção delas, exposta do lado de fora. Com tamanha concentração de endereços gastronômicos, a Rue des Abbesses (e a Rue Lepic, sua continuação) é um paraíso gourmet, mas os turistas ainda não descobriram isso, e é difícil ouvir outras línguas que não o francês num passeio por ali — sim, Montmartre é um bairro bastante turístico, mas apenas o eixo Sacré Coeur-Praça do Tertre. A parte baixa é quase que inteiramente dos parisienses.
Um ótimo lugar para um aperitivo depois do café da manhã em forma de piquenique e antes do almoço, na parte alta de Montmartre, é o bar de vinhos e loja Caves des Abbesses, que tem uma ótima seleção de rótulos (quem só quer comprar uma ou mais garrafas tem, ainda, pelo menos mais duas lojas ali, a onipresente Nicolas e a De Verre en Vers). Para os dias mais quentes, duas mesinhas do lado de fora convidam a ficar por ali, bebericando ao sabor de pratos de petiscos, com queijos, embutidos e conservas. No frio, nos fundos da loja há um pequeno e acolhedor salão, com algumas mesas. Para um bom "gelato", a Amorino — provavelmente a rede de sorveterias que mais cresce no mundo — serve uma ótima seleção deles, feitos sem conservantes e corantes, no estilo italiano, usando leite fresco e ovos "biô".
Montmartre não é nenhum Marais, mas existe ali um comércio moderninho, com algumas galerias de arte e lojinhas de roupas e objetos que agradam em cheio à turma que curte design e afins, como a Pylones e a Kiehl’s, uma marca de produtos de beleza muito fashion. Os amantes da gastronomia encontram diversão garantida na Ets Lion, ainda na Rue des Abbesses. Inaugurada em 1895 é loja de produtos alimentícios, como ervas, geleias e objetos de culinária e decoração de cozinhas, como velas, potes e travessas, além de plantas, sementes e material para jardinagem. Dá para ficar um longo tempo, olhando e comprando, olhando e comprando...
Ainda que o maior burburinho artístico esteja na parte alta do bairro, passeio que deixamos para a parte da tarde (leia mais na página seguinte), na Rue des Abbesses e cercanias também encontramos algumas boas galerias, como a Tableaux e a W Eric Landau. A Yellow Korner é uma imperdível galeria de arte dedicada exclusivamente à fotografia, com uma incrível seleção de imagens, entre registros clássicos de artistas famosos e importantes agências de imagens (como a americana Keystone) a novos talentos nessa área. Dá vontade de encher a parede de casa com essas imagens. Há por ali, ainda, algumas lojas de suvenires com peças bastante interessantes, como a Montmartre Je t’aime, e até uma casa especializada em objetos angelicais, La Boutique des Anges, onde encontramos tudo o que se possa imaginar relacionado ao tema, de envelopes para cartas e abajures, passando por ímãs de geladeira, velas e toda a sorte de imagens (quadro, gravuras etc). Ainda na linha loja temática, na Rue Tardieu, no caminho para a Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, encontramos uma casa especializada em frascos de perfume e talco, e assemelhados, a Belle de Jour, que reproduz, restaura e vende essas peças.
Para se chegar à parte alta do bairro há pelo menos três possibilidades: usar o trenzinho branco que circula por Montmartre (com saída e chegada da Place Blanche, bem próxima à Rue des Abbesses), subir pelo funicular que está aos pés da igreja ou, então, encarar os degraus da escadaria, num programa relativamente cansativo, mas que revela aos poucos lindos ângulos de Paris.
Um almoço no primeiro ‘bistrot’
Depois de subir as escadarias da linda Basilique du Sacré Coeur de Montmartre, a fome bateu. Enquanto saboreava um "oeuf cocotte au foie gras" eu esperava o meu prato principal, um parmentier de canard, espécie de escondidinho de pato à moda francesa. Na taça, um Bordeaux 2008, do Château Sainte Catherine. No salão de teto baixo do restaurante La Mère Catherine, na parte alta de Montmartre, um casal interpretava clássicos do cancioneiro popular francês, ele ao piano, ela deslizando de mesa em mesa, apresentando um repertório conhecido. Eis que a cantora se vira para mim, pega na minha mão, e canta, em tom claramente piedoso, como quem tivesse pena desse turista solitário em um domingo frio e chuvoso. "Quand il me prend dans ses bras/ Il me parle tout bas/ Je vois la vie en rose/ Il me dit des mots d’amour". "La vie en rose": impossível não sorrir, de vergonha e de alegria. Em seguida ela partiu para a mesa ao lado, onde pôde dividir o seu repertório com clientes da casa, parisienses legítimos que sabiam todas as letras de cor e salteado, porque Montmartre é um bairro muito particular da capital francesa: mistura, como nenhum outro, talvez em iguais proporções, moradores locais e turistas (mas só nessa parte alta).
Não demorou muito para o garçom chegar com o meu pedido, um parmentier admirável em todo o seu esplendor franciscano: comida simples, muito saborosa e reconfortante, uma receita bastante apropriada para aquela tarde fria de dezembro. Em seguida, para fechar, uma tarte tatin devidamente escoltada por um Bas-Armagnac 1976, completando o menu da casa que eu havia escolhido, a razoáveis 36 euros por pessoa.
O La Mère Catherine é um clássico parisiense, fundado em 1793. Reza a lenda que o termo "bistrot" teria sido criado ali, em 1814, pelos cossacos russos, que famintos entraram no restaurante gritando "Bistro, bistro", que significa "rápido", na língua de Dostoiévski. Verdade ou mentira, o fato é que o La Mère Catherine é um restaurante altamente recomendável: foi sugerido tanto pelo guia (de papel) que levei comigo na viagem quanto pelo concièrge do classudo hotel Le Meurice, que nem pestanejou quando pedi uma sugestão de almoço em Montmartre.
— O Moulin de la Galette é ótimo, e tem feito muito sucesso com o público interessado em gastronomia. Mas eu diria que o melhor restaurante ali, considerando a qualidade da comida, o ambiente e a história do lugar, é o La Mère Catherine. O senhor vai gostar, posso garantir — disse o solícito rapaz.
— Reserva o La Mére Catherine para mim? — foi a minha pronta resposta, e de fato tive momentos muito saborosos e felizes ali. Merci, monsieur.
O restante já sabemos. Além dos atributos gastronômicos, arquitetônicos e históricos, o La Mère Catherine reserva ainda outro: o geográfico. O restaurante está localizado na pequenina e charmosa Place du Tertre, onde encontramos uma imagem típica de Paris, que já quase não se vê mais em outros pontos da cidade: são os artistas de boina pintando ao ar livre.
É bem verdade que nem todos usam qualquer cobertura para a cabeça, nem cultivam um bigodinho impecável, como no imaginário coletivo, estereótipo do pintor francês, mas a cena é absolutamente parisiense, inclusive pela boa quantidade de turistas, que posam para os retratos feitos na hora, que podem ser, ou não, um belo suvenir. Passear por ali é uma ótima pedida para depois do almoço. E quem quiser pode investir entre 20 euros e 50 euros, e levar para casa um desenho, que pode ser uma divertida caricatura ou retrato mais fiel à realidade, seguindo as mais diversas escolas artísticas e estilos. Ah, sim: você também pode levar uma fotografia de alguém querido para ser reproduzida pelos artistas, uma espécie de "Estive em Paris e lembrei de você" (em versão très chic).
Como catalisadora de pintores, a praça também atrai galerias de arte, como a Montmartre, com uma chamativa fachada vermelha, espécie de posto avançado do Espace Dalí, um museu e loja dedicado ao artista espanhol, que está a poucos passos dali e pode ser uma ótima opção de passeio para se fazer a digestão. É possível levar para casa pinturas e esculturas, em edições limitadas, e toda a sorte de objetos e suvenires de Dalí.
Para continuar o tour pela História da Arte, que tem no bairro um importante e eterno ponto de referência, uma curta caminhada conduz até a pequena Rue Ravignan, onde está, no número 13, o Bateau Lavoir, na Place Emile Goudeau, antiga residência, no início do século passado, de artistas, como Pablo Picasso (que viveu ali entre 1900 e 1904), Max Jacob, Henri Matisse, Georges Braque e Amedeo Modigliani, escritores, como Jean Cocteau, além de atores, marchands...
Dali vale esticar a caminhada pelas ruas adjacentes, como Avenue Junot (uma das mais caras de Paris), a Rue Norvins, a Rue Girardon e a Rue Caulaincourt. Ou andar sem rumo, flanando, observando os prédios antigos e os jardins, as pessoas voltando pra casa com a baguete debaixo do braço, os donos passeando com os seus cachorros. A vida como ela é, porque em Paris o cotidiano parece mais belo e glamouroso.
Para encerrar o dia, um programa fofo e bastante turístico é jantar no Les Deux Moulins, famoso por ter sido cenário do filme "O fabuloso destino de Amélie Poulin". A comida não está entre as mais respeitáveis, vale mais para beber uma tacinha de vinho. Melhor mesmo é seguir até o Le Miroir, talvez o melhor restaurante de Montmartre. Só não se esqueça de reservar a sua mesa, porque muita gente sabe disso, inclusive os turistas e os guias de viagem.
Encerrar com o jantar? Só quem quiser. Porque duas das casas de shows mais famosas de Paris estão por ali. O Moulin Rouge fica perto do Le Miroir. E o Au Lapin Agile, outro ícone entre os cabarés parisienses, não8 está muito longe, mas é bom pegar um táxi. Basta escolher.
Serviço:
Restaurantes
La Mère Catherine: Place du Tertre 6. Tel. 4606-3269.lamerecatherine.com
Moulin de la Galette: Rue des Moulins 15. Tel. 3980-6955.moulindelagalette.fr
Le Miroir: Rue des Martyrs 94. Tel. 4606-5073.
Les Deux Moulins: Rue Lepic 15. Tel. 4254-9050.
Padarias
Le Grenier à Pain: Rue des Abbesses 38. Tel. 4606-4181.legrenierapain.com
Au Levain d’Antan: Rue des Abbesses 6. Tel. 4264-97 83.
Coquelicot: Rue des Abbesses 24. Tel. 4606-1877. coquelicot-montmartre.com
Traiteurs
La Bottega di Piacenza: Rue des Abbesses 53. Tel. 4492-9099.
Shanghai: Rue des Abbesses 50. Tel. 4264-3658.
Pelops: Rue des Abbesses 44. Tel. 5328-2669.
Nathalie et Christian Duran: Rue des Abbesses 30. Tel. 4606-4435.
Lojas
Les Fromages de Marie: Rue des Abbesses 32.
La Cave des Abbesses: Rue des Abbesses 43. Tel. 4252-8154.cavesbourdin.fr
Ets Lion: Rue des Abbeses 7. Tel. 4606-6471. epicerie-lion.fr
Yellow Korner: Rue des Abbesses 44. Tel. 4258-3128.fr.yellowkorner.com
Kusmi Tea: Rue des Abbesses 38. Tel. -4278-1196. kusmitea.com
La Boutique des Anges: Rue Yvonne le Tac 2. Tel. 4257-7438.boutiquedesanges.fr
Belle de Jour: Rue Tardieu 7. Tel. 4606-1528. belle-de-jour.fr
Passeios
La Basilique du Sacré Coeur de Montmartre: A entrada é gratuita, e fotos são proibidas. Vale a pena subir até a cripta para ter um dos mais lindos panoramas de Paris (das 9h às 19h; no inverno, até as 18h). O templo fica aberto das 6h até as 22h30m (entrada permitida até as 22h15m). Rue du Chevalier de la Barre 35. Tel. 5341-8900. sacre-coeur-montmartre.com
Espace Dalí: O ingresso custa 11 euros. Rue Poulbot 11. Tel. 4264-4010.daliparis.com
Le Petit Train de Montmartre: O trenzinho simpático circula pelo bairro em tour que dura aproximadamente 40 minutos, com partida e chegada da Place Blanche, e passando por pontos turísticos como a Place du Tertre, o Espace Dalí, a basílica e o cemitério de Montmartre. O passeio, ida e volta, custa 6 euros. Tel. 4262-5030. promotrain.fr
Casas de shows
Moulin Rouge: Só o show custa 95 euros (há preços combinados com jantar, podendo chegar até 200 euros, o chamado menu Belle Époque. Boulevard du Clichy 82. Tel. 5309-8282. moulinrouge.fr
Au Lapin Agile: O ingresso custa 24 euros, com direito a uma bebida. Rue Saules 22. Tel. 4606-8587. au-lapin-agile.com

Hora do drinque no país do vinho




O animado bar Little Red Door, em Paris
Foto: Divulgação / Little Red Door
O animado bar Little Red Door, em Paris
PARIS - Depois dos hambúrgueres fait maison, de produção artesanal, Paris foi seduzida pela moda dos bares de coquetéis. Além do Candelaria, já citado aqui em outra ocasião, novos endereços têm surgido com inventivos menus de bebidas e ambientes para diferentes paladares e tribos. O Le Coq (12 Rue du Château d’Eau) é uma criação do britânico Tony Conigliaro, conhecido como “druida do coquetel”, dono do The Bar with No Name (“O bar sem nome”), em Londres, associado a dois franceses. Seus drinques se inspiram na cozinha molecular. Entre os mais pedidos, o les fleurs du mal mistura vodca à la rose, suco de limão, absinto e casca de laranja. No décor retrô 1960-70, no qual se sobressai uma enorme imagem em preto e branco da cantora Françoise Hardy, impera uma trilha pop-rock, de Ramones a Roxy Music.
No Little Red Door (60 Rue Charlot) entra-se por uma pequena porta vermelha num espaço moderno, de paredes de tijolos, dominado por bancos estofados e cadeiras de variadas cores, embalado por sonoridades a cargo de diferentes DJs. Os drinques estão à escolha num menu de poucas opções, mas bem dosado entre o doce e o amargo.
O acesso ao Ballroom pode ser feito após a degustação de uma suculenta carne no Beef Club, no número 58 da Rue Jean-Jacques Rousseau, ou pela porta ao lado, no número 52 da mesma rua. O bar é um subsolo trendy, com clima chique-despretensioso e reputado pela qualidade de seus drinques, como o Pondichéry mule, de vodca com infusão de cardomomo.
O Sherry Butt (20 Rue Beautreillis) propõe velhos uísques e bebidas raras em um ambiente de loft moderno com toque barroco.
No Le Maria Loca (31 Boulevard Henri IV), invenção de quatro amigos — Mike, Guillaume, Laurent e Max — que viajaram pelo mundo em busca de novas aventuras, a especialidade é o rum e a cachaça, com mais de cem referências, algumas delas raríssimas.
Por fim, o Le Glass (7 Rue Frochot) é um Candelaria-bis no bairro de Pigalle, um bar rock com cachorro-quente biô e novas receitas de coquetéis.
Bares dedicados à cerveja também em alta
Para os amantes de cerveja, a dica é o La Fine Mousse (6 Avenue Jean-Aicard), com 20 opções de marcas artesanais, servidas na pressão. Como alternativa, a casa oferece ainda 150 diferentes cervejas em garrafas, de diferentes países e sabores.
No Paris Saint Bière (101 Rue de Charonne), cujo dono é um tunisino fã de cerveja, Fathi Tebib, pode-se degustar mais de 300 marcas, até 4h da manhã (incluindo a Celtia, da Tunísia).
Já Thierry Roche produz suas próprias cervejas na Brasserie de la Goutte d’Or (28 Rue da Goutte d’Or). O negócio começou graças a um sistema decrowdfunding via internet, pelo qual Roche arrecadou € 8.500 (cerca de R$ 22 mil) de 176 pessoas para ajudar a financiar o seu projeto.


  

Os bares de Paris são uma festa



Le Bar Longm dentro do hotel Le Royal Monceau, é frequentado por Robert de Niro e Sarkozy Foto: Divulgação
Le Bar Longm dentro do hotel Le Royal Monceau, é frequentado por Robert de Niro e Sarkozy Divulgação
PARIS - A proliferação de bares e cafés frequentados por moradores e turistas que flanam pela capital francesa é uma constante desde antes dos tempos de Ernest Hemingway, que até batiza o lendário bar do Ritz, passando por reformas a serem concluídas no final de 2014. Paris sempre foi uma festa! Os próprios bares dos mais tradicionais hotéis parisienses são ponto de encontro importante para a sociedade.

Esse movimento vem ganhando ainda mais força nos últimos anos. Juntar-se ao balcão de um dos excelentes bares de hotel da cidade é certeza de desfrutar de ambiente agradável, boa música, drinques elaborados com esmero por barmen e sommeliers renomados e, é claro, de ouvir também uma torre de babel de distintos idiomas e sotaques. E, na grande maioria dos casos, tudo isso ainda vem acompanhado de comidinhas gourmet.Com o passar dos anos, tais bares de hotéis começaram a reunir não apenas escritores e jornalistas em busca de discussão e inspiração como também políticos, celebridades, jetsetters e, é claro, turistas vindos das mais diferentes partes do mundo.
Faça o seu drinque. O bar do novo hotel W da cidade já cativa de cara pela forma (comprida e um pouco sinuosa) e pela decoração do designer argentino Diego Gronda, o novo queridinho da hotelaria de luxo internacional. A atmosfera do local vai de tranquila a elétrica ao longo do dia, com ótima trilha sonora contemporânea tipo lounge bar. De intelectuais a turistas fazendo hora para ir à Opéra Garnier, o W Lounge reúne todo tipo de gente. O menu bem-humorado e muito colorido dá nomes curiosos aos drinques e tipos de bebidas — a seção de tequilas, por exemplo, foi batizada de “Vamos amigos”, em espanhol mesmo. Até “batida de pera”, com grafia em português, aparece no cardápio. Alguns dos coquetéis que foram parar ali são resultado da proposta do-it- yourself, que estimula os clientes a orientarem o barman a criar um drinque personalizado, inédito. Para acompanhar os pratinhos elaborados pelo chef espanhol Sergi Arola, aclamado pelo guia Michelin, vale apostar nos excelentes Winter daiquiri (rum, vermute, limão, lavanda e cravos), Kodo (uísque japonês, limão, Creole) e The Herbalist Grasshopper (menta, creme de cacau e água de eucalipto).
Happy hour animada. O imenso bloco de mármore italiano marrom de nove toneladas bem no centro do Bar 8, no Mandarin Oriental (trabalhado ali mesmo, à mão, antes da inauguração) capta no ato a visão de quem entra. A atmosfera intimista e “escurinha” do local, decorado com muito marrom e preto, paredes de madeira escura pontuadas pelos delicados cristais Lalique e mesas baixinhas cor de bronze com tampo de vidro, é bastante convidativa e reúne o pessoal estiloso que circula diariamente pelos arredores da Rue Saint Honoré. A partir das 18h, durante a happy hour, o bar fica lotado de parisienses saindo do trabalho e turistas tomando um drinque pós-compras, acompanhados, ou “esquentando” antes de sair para jantar. Nos dias bonitos ganha ainda mais espaço com o jardim anexo. Para acompanhar os drinques do menu — como o suave Honey Kingston (rum Appleton, limão, Cointreau e mel produzido pelo próprio hotel), que faz tanto sucesso que até ganhou recentemente uma versão sem álcool, para alegria da criançada — é possível pedir pratos e tapas do Camélia, o ótimo restaurante do hotel comandado pelo chef Thierry Marx.
Catedral do gim. Com pouco mais de um ano de existência, o bar, que fica no térreo do casarão parisiense ocupado pelo hotel Renaissance Le Parc Trocadero a poucas quadras da Torre Eiffel, foi o primeiro gin bar de toda a França — ideia ousada que deu certo numa cidade (e país) de loucos por champanhes e vinhos. Com decoração contemporânea, com muito branco e peças de impacto em verde intenso, o G’Bar tem mais de 30 rótulos diferentes de gim no menu e 25 drinques preparados com a bebida, além de aperitivos, coquetéis clássicos e vinhos. Dentre as opções mais populares entre os adeptos do local estão a clássica Gin Tonic (mas ali servida com uvas verdes amassadas no fundo do copo, criando um sabor refrescante surpreendente) e o Flower Power (gin G’Vine, jasmin, Saint German, xarope de rosas e limão). A música ambiente é discreta, em estilo lounge, compatível com o tamanho diminuto do bar, que ganha espaço nos dias quentes, quando se abre para o belo jardim no interior da propriedade. Nas noites de quinta-feira, a mais cheia, tem jazz fusion ao vivo. Um must have: macarons de gim para acompanhar o drinque.
O drinque do George Clooney. O hotel Le Royal Monceau, perto do Arco do Triunfo, parece ser mesmo o local perfeito, com sua galeria de arte contemporânea própria e o décor sempre surpreendente de Philippe Starck, para hospedar o excelente Bar Long. Em uma tarde qualquer podem estar sentados ali degustando seus drinques, lado a lado, Robert de Niro, Marion Cotillard, Nicolas Sarkozy e turistas anônimos dando uma pausa nas andanças pela cidade, entre as imensas cortinas brancas que descem do teto ao chão e as obras de arte que permeiam o local. O menu é bastante didático e bem dividido entre os clássicos e as criações próprias do hotel — como o delicioso Passion, o drinque à base de champanhe e maracujá que o ator George Clooney e o barman do hotel Cipriani de Veneza criaram para o hotel — e ali é possível tanto pedir tapas e entradinhas ao longo do dia quanto o clássico high tea ou as pâtisseries irretocáveis de Pierre Hermé durante a tarde. O som varia do piano ao vivo à tarde a sessões de DJs na madrugada.
“O bar”. Não foi à toa que o bar do icônico hotel George V foi batizado de “Le bar” pelos próprios ricos e famosos que originalmente o frequentavam. Até hoje, eis um dos mais significativos pontos de encontro da sociedade parisiense. A diferença é que o ambiente clássico mantido pela rede Four Seasons, com direito a garçons de luvas brancas e tudo, virou também ponto de encontro de turistas de todo o mundo, estejam eles hospedados ali ou fazendo uma pausa entre as compras nas badaladas avenidas Champs-Elysées e Montaigne. Apesar do champanhe e do conhaque continuarem jorrando, o novo menu do bar oferece toques modernosos aos coquetéis clássicos que sempre foram servidos no aconchegante lounge de cadeiras de couro à la Bellle Époque, como martinis frutados nas mais diversas composições que acompanham petiscos estilo finger food. As novas criações da equipe de barmen têm nomes quase tão gostosos quanto os próprios drinques: Bye Bye Baby (suco de limão, vodca de framboesa), Road To Heaven (açúcar mascavo, chocolate amargo, Barcardi), Just My Imagination (limão, açúcar, cachaça, baunilha) e Confide In Me (gim, coentro, Saint Germain, dry martini, ginger beer). O exclusivo George Fizz (morangos e framboesas frescos, suco de laranja, suco de goiaba e champanhe) é imperdível.
Chamando pelo nome. Os painéis de madeira escura, veludos e a lareira evidente criam uma atmosfera que remete imediatamente aos anos 1920 e 1930 parisienses e agradam em cheio aos fãs do filme “Meia-noite em Paris”, de Woody Allen, por exemplo — e também aos fashionistas que se encontram com frequência no Bar 30, no Sofitel, ao som de lounge music. O público ligado à moda tem razão de ser: o hotel está no no bairro de Faubourg Saint-Honoré, coração da alta-costura parisiense. Os mojitos — são vários, de distintas frutas e ervas, com destaque especial para o de frutas vermelhas — são os pedidos mais frequentes de seus visitantes e também de clientes assíduos, chamados pelo nome pelos garçons que parecem conhecê-los há décadas. O bar fica anexo ao restaurante homônimo e serve ali, em seu balcão e suas mesas, comidinhas fusion preparadas pelo chef criativo Keigo Kimura para acompanhar as bebidas. No menu, mais de cem rótulos de uísques e outros destilados são oferecidos puros, em coquetéis clássicos ou inovações feitas na hora, a pedido do freguês. A carta de vinhos também é louvável.
Para conhecer gente nova. O Island Bar, do despojado hotel Mama Shelter, um dos responsáveis pela revitalização da área no entorno do cemitério de Père-Lachaise, na Rue de Bagnolet, no 20º arrondissement, é o queridinho dos mais jovens e descolados: sem frescuras, colorido, com paredes e teto grafitados, uma imensa mesa de totó no centro e DJ todas as noites, não seria de se esperar o contrário. O bar tem formato quadrado inclusive no balcão (e é daí que vem seu nome “ilha”) a fim mesmo de facilitar o entrosamento dos clientes — eis aí também um bom lugar para quem viaja sozinho conhecer gente nova. Um enorme terraço amplia seu espaço durante a primavera e nos meses de verão (e faz a alegria dos franceses e turistas que fumam). A trilha sonora vai de rap a R&B e os fins de semana têm performances de artistas internacionais. O coquetel por excelência da casa é o Mama loves you (vodca, licor de pêssego, suco de cranberry) mas o Gin Bramble, com frutas vermelhas, também já virou um clássico da vez.
Filme de época. Esse bar conquista por sua localização pouco usual: está no coração de Montmartre, bem entre a Avenue Junot e a Rue Lepic, e já valeria a visita também pela atmosfera peculiar. A decoração do The Bar, no Hôtel Particulier, é tão original quanto à do hotel, uma mansão do século XIX repleta de boudoirs, com iluminação baixa e salões que parecem saídos de um filme de época — ou um clipe de Dita von Teese. A trilha sonora é estilo lounge-sexy e cortinas de veludo, cadeiras em plush, sofás bordô e luminárias de todo tipo se espalham por três andares avermelhados — mas o clima é aconchegante e você simplesmente não se dá conta do tamanho do local. O barman, o nova-iorquino David, é craque nos drinques convencionais e se arrisca em seu Cointreau Prive (vodca, Cointreau, ginger beer), além de eventualmente criar uma ou outra mistura a pedido do cliente.
SERVIÇO:
W Lounge: Hotel W. Diárias a partir de € 259. 4 rue Meyerbeer. Tel. (33) 01-7748-9494. wparisopera.com
Bar 8: Hotel Mandarin Oriental. Diárias a partir de € 875. 251 Rue Saint-Honoré. Tel. (33) 01-7098-7888. mandarinoriental.com
G’Bar: Hotel Renaissance. Diárias a partir de € 419. 55-57 Ave. Raymond Poincare. Tel. (33) 01-4405-6666. marriott.com
Bar Long: Le Royal Monceau. Diárias a partir de € 750. 37 Avenue Hoche. Tel. (33) 01-4299-8800. leroyalmonceau.com
Le Bar: Hotel George V. Diárias a partir de € 865. 31 Avenue George V. Tel. (33) 01-4952-7000. fourseasons.com
Bar 30: Sofitel Le Faubourg. Diárias a partir de € 380. 15 Rue Boissy d’Anglas. Tel. (33) 01-4494-1414. sofitel.com
Island Bar: Hotel Mama Shelter. 109 Rue de Bagnolet. Diárias a partir de € 89. Tel. (33) 01-4348-4848. mamashelter.com
The Bar: Hotel Particulier. Diárias a partir de € 390. 23 Avenue Junot, Pavillon D. Tel. (33) 01-5341-8140. hotel-particulier-montmartre.com


 

domingo, 5 de maio de 2013

Férias em Paris: alugue um apartamento e viva como um parisiense!


Já pensou em alugar um apartamento em Paris para passar suas férias? Além do conforto de se sentir em casa, fugindo dos minúsculos e impessoais quartos de hotel parisienses,  pode ser o meio de viver como um morador dessa cidade, usufruindo do que ela tem de melhor a oferecer. Mercados, padarias, feiras de rua, floriculturas, tudo isso a seu alcance num charmoso “appartement français”! Sabe o desejo que você tem de comprar algumas frutas ou queijos típicos da região que está visitando e, no entanto, você deixa para lá porque a logística é complicada quando se está hospedado num hotel? Se alugar um apartamento, grande parte desse problema deixa de existir e você vai embora para casa com muito mais que fotos das tais frutas exóticas. Leve com você a experiência de viver em Paris!
Os apartamentos da À La Parisienne te oferecem tudo isso e um pouco mais. Bem localizados, permitem fácil acesso ao metrô e, portanto, a todos os pontos turísticos interessantes. Além disso,  todos eles possuem TV a cabo, inernet wifi, telefone com ligações gratuitas para fixos no Brasil, cozinha equipada e roupas de cama e banho de ótima qualidade. E, acredite, com atendimento em português do inicio ao fim da locação. Não é ótimo espantar o fantasma de falar inglês na França?
Os preços variam de acordo com a época escolhida – os meses de baixa temporada são fevereiro (exceto carnaval), março, primeira quinzena de abril, agosto e novembro e primeira quinzena de dezembro, a quantidade de pessoas e o número de noites.  Via de regra o valor da diária começa a baixar a partir da sétima noite e, ainda mais a partir da trigéssima noite.
As diárias começam em 120 euros e vão até 270 euros, mas a partir de 7 noites podem custar 100 euros. Ou seja, muito mais barato que qualquer hotel meia boca no Quartier Latin; digo isso com conhecimento de causa, pois visitei vários hotéis em que as diárias chegavam a 140 euros nos quais eu não tinha sequer coragem de respirar dentro do quarto… imagine então deitar na cama ou tomar banho! Vale a pena conferir também os pacotes  de final de ano de 7 noites e com cesta de boas vindas com champagne, macarrons, flores entre outras agradinhos típicos franceses.
Para conferir tudo – localização, descrição completa, fotos, equipamentos e disponibilidade dos apartamentos – basta entrar no site: www.alaparisienne.com. Para efetuar um pedido de reserva preencha o formulário no site. As reservas são feitas mediante pagamento de 50% do valor total antecipado. Se tiver qualquer dúvida, entre em contato em português com a empresa!
Dá só uma olhada nas fotos dos apartamentos! Está esperando o que para programar suas férias perfeitas em Paris?
Post Patrocinado por A La Parisienne

domingo, 23 de dezembro de 2012

Uma janela para a Notre-Dame




A Catedral de Notre Dame, vista de uma ilha do Rio Sena
Foto: JACKY NAEGELEN / ReutersPor Martha Medeiros -Escritora e cronista

Um bistrô?
Comi muito bem no L’Epi Dupin (11 Rue Dupin).
Um café?
Gosto de passear pelo Jardim de Luxemburgo, e depois tomar alguma coisa refrescante no Café Vavin (18 Rue Vavin), ali perto.
Um almoço?
No Le Relais de l’Entrecôte (15 Rue Marboeuf), opção única no cardápio: salada verde, carne (em molho abençoado) e batatas fritas.
Um jantar?
Quando quero algo mais tradicional, escolho a Brasserie Bofinger (5-7 Rue de la Bastille), a mais bonita da cidade, em estilo Belle Époque.
Um vinho?
Um borgonha no Le Petit Pontoise (9 Rue de Pontoise).
Um museu?
O Museu Rodin, não só pelo acervo maravilhoso, mas pelos jardins e pelo prédio do antigo Hôtel Biron, onde o artista teve uma oficina.
Uma livraria?
A que fica no Palais de Tokyo, pelos livros de design.
Uma loja?
Antoine et Lili, pelos utensílios de casa. Há várias filiais na cidade. Minha preferida é a do Quai de Valmy, em frente ao Canal Saint-Martin. Gosto demais do espírito divertido e kitsch dos objetos e roupas.
Um estilo?
Os cashmeres com pegada rock’n’roll da Zadig e Voltaire e o perfume, também da grife, Le Pureté.
Paris de manhã, de tarde ou à noite?
Ao entardecer, emendando com a noite. A iluminação dos prédios e das ruas faz a gente se sentir dentro de um filme.
Um passeio?
A pé por Montmartre, partindo da Place des Abbesses, subindo a Rue Lepic, passando pela Place Marcel Aymé (e espiando escultura do homem que atravessa a parede), seguindo pela arborizada Avenue Junot, pela charmosa Allée des Brouillards (onde viveu Renoir), pela encantadora Rue de l’Abreuvoir, até chegar na Sacré-Coeur.
Um local?
Place Dauphine.
Uma vista de Paris?
Os fundos da Notre-Dame, vista da Place Jean XXIII, na Île de la Cité.
Um hábito?
Uma taça de vinho a qualquer hora no La Palette (43 Rua de Seine).
Um autor/livro?
“Longamente”, romance publicado em 2000 por Érik Orsenna.
Uma palavra/frase?
“Bonjour, madame”.
Um artista/quadro?
“Les raboteurs de parquet”, de Gustave Caillebotte. E gosto muito da série da Catedral de Rouen, de Monet: as várias telas da igreja pintadas no mesmo ângulo, com diferentes luminosidades, conforme a hora e a estação.
Uma lembrança?
Um drinque no terraço do Le Café de l’Homme (17 Place du Trocadéro), aguardando as luzes da Torre Eiffel serem acesas. Dali se tem uma visão privilegiada do maior cartão-postal parisiense.
Um desejo?
Alugar um estúdio na Rive Gauche, e passar seis meses apenas escrevendo e flanando — o clichê de todo artista.
PATINANDO NO GRAND PALAIS
Pela primeira vez em sua história, no lugar de grandes exposições e instalações, o Grand Palais cede sua imensa e nobre nave para uma pista gigante de patinação no gelo, uma alternativa ao tradicional espaço montado anualmente diante do Hôtel de Ville, a prefeitura de Paris. Adultos e crianças têm à disposição 1.800 m² de gelo para, entre tombos e piruetas, se divertir até 6 de janeiro. Há também um programa de espetáculos e animações, e vinho quente e chocolate quente para enfrentar as baixas temperaturas do inverno francês. (legrandpalaisdesglaces.com)
Hotel
Hotel Le Bristol (112 Rue du Faubourg Saint-Honoré). O estabelecimento cinco estrelas tem novo bar com décor entre o clássico e o moderno. O mobiliário tende para a elegância cosy, com lareira, e a parede atrás do balcão acolhe um imenso espelho que se transforma em tela, exibindo vídeos artísticos e de imagens de Paris. Além de coquetéis exclusivos, vinhos e champanhes de prestígio, o cardápio lista quitutes preparados pelo chef três estrelas Éric Fréchon. Nas noites de quinta-feira a sábado, o ambiente é festivo, com DJs.

La Palette - um bistro francês

sábado, 18 de agosto de 2012

Champagne

Champagne

Viajar e conhecer novas culturas não tem preço. Combinar atrações culturais com um roteiro gastronômico, conhecer comidas, bebidas, bares, restaurantes é uma forma agradável de realmente conhecer o país que se visita --- sei que o pessoal que viaja só pensando em fazer compras não vai concordar comigo, esses o máximo que conhecem de um país é seus outlets visitadas compulsivamente em busca de sua marca favorita. Este http://br.franceguide.com/GP/Newsletter.html?nodeID=1&EditoID=236311 é para quem gosta de champagnes é gostaria de visitar esta região demarcada na França.

Maria Madalena, França - Um lugar de preces e perenegrição

domingo, 1 de julho de 2012

Os novos aromas da Riviera Francesa



O chef Giorgio Grilenzoni conversa com os clientes nas mesas ao ar livre do restaurante Chat Noit, Chat Blanc em Nice, na França
Foto: Rebecca Marshall / New York Times
O chef Giorgio Grilenzoni conversa com os clientes nas mesas ao ar livre do restaurante Chat Noit, Chat Blanc em Nice, na FrançaREBECCA MARSHALL / NEW YORK TIMES
NICE - Por muitos anos, o guia Michelin concedeu tantas estrelas aos restaurantes ao longo da Côte d’Azur, a glamourosa faixa litorânea conhecida como Riviera Francesa, que os livros passaram a vir com um mapa anexo da região, de forma a exibir de maneira mais legível os nomes. Hoje, porém, não são os salões chiquérrimos, os garçons vestindo smokings e os preços vertiginosos que brilham na região. Mas sim os pequenos, casuais e acolhedores espaços com chefs que fazem dos produtos locais os protagonistas em menus sazonais a preços bem razoáveis. O último verão viu um aquecimento desta tendência, à medida em que diversos bistrôs foram inaugurados, recuperando a reputação do litoral mediterrâneo como um dos melhores lugares para se comer na França. Acompanhando essas novidades da minha casa em Paris, encontrei ótimas desculpas para passar um fim de semana prolongado na Riviera e planejei uma maratona gastronômica de Nice a Antibes.
Inspirações italianas e nipônicas representam a Nice de hoje
Como eu já havia descoberto em visitas anteriores, esta ensolarada região é um ótimo lugar para se comer principalmente porque é um ímã de talentos gastronômicos, atraídos pela despensa da Riviera Francesa (frutos do mar recém-pescados no Mediterrâneo e frutas, vegetais e ervas frescas, vindas de pequenas fazendas no interior) e por uma clientela rica e fiel de moradores e turistas apaixonados por comida. Também ajuda ser um lugar realmente incrível para se morar. Entre os meus restaurantes preferidos em Nice, com suas vibrantes versões da cozinha local, estão o Chat Noir, Chat Blanc e o Flaveur.
O primeiro fica escondido em uma travessa charmosa, atrás de terraços cheios de turistas que se distraem observando e fotografando o mercado de Cours Saleya em Nice. O diminuto bistrô de Giorgio Grilenzoni, que o chef milanês abriu em 2010, serve deliciosa e moderna comida mediterrânea e — se você conseguir uma das três mesas na calçada — exibe um pouco do cotidiano do bairro.
Almoçando sozinho, eu me decidi por uma taça de vinho branco para curtir o movimento. Todos no bairro adoram Grilenzoni, e ele também os adora. Empurrando sua bicicleta oficial amarela, o carteiro entregou a correspondência ao chef, acrescentando com alegria: "Pas de factures!" (sem contas). Um vendedor do mercado passou para dar alguns tomates que não foram vendidos, e o paquistanês da loja vizinha de temperos veio puxar papo.
— Le Vieux Nice é uma vila, e é surpreendentemente internacional — disse Grilenzoni. — O que temos em comum é o amor pela boa mesa.
Grilenzoni e Nicola Sikic — que elabora as sobremesas e comanda o salão — trabalharam no luxuoso restaurante de Nice La Reserve na época em que o chef finlandês Jouni Tormanem tocava a cozinha. Mas mesmo cozinhando na Côte d’Azur, Grilenzoni decidiu seguir, com orgulho, suas raízes italianas. Como fica evidente no menu daquele dia: uma formidável entrada de foi gras com cerejas negras sauté, seguida de um soberbo risoto de minúsculas ervilhas doces coberto por um polvo guarnecido com molho bolonhesa, dois gordos camarões grelhados e rúculas selvagens.
— Os franceses não entendem que não se deve adicionar creme de leite ao risoto. A consistência cremosa deve vir do amido no arroz arbóreo — diz ele, incrédulo, enquanto finalizava um prato de tiramisù com mascarpone. — Mas eu os perdoo por causa dos incríveis queijos.
Na tradicional Nice, não faltam senhorinhas de sapatilhas lamé douradas levando seus cães para passear. Mas na visita que fiz no último verão, a clientela jovem do Flaveur, que ganhou uma estrela Michelin no ano passado, pendia mais para a moda dos óculos escuros de armações gigantes combinados com marcas italianas caras de sportswear. Também pareceu animada pelo cardápio incomum, um delicioso exemplo de uma cidade rejuvenescida.
O Mediterrâneo sempre foi um caldeirão de trocas gastronômicas, enquanto o comércio e as guerras levavam sabores, ingredientes e técnicas por suas margens. Hoje, porém, muitos dos melhores chefs jovens da Riviera estão procurando inspirações além do horizonte. Entre eles, estão Gaël e Mickaël Tourteaux, irmãos que lideram a compacta cozinha do Flaveur.
Gaël, o mais velho, nasceu em Reims, e Mickaël em Guadalupe. E ambos tiveram como mentores dois dos grandes maestros da Riviera — o chef estrelado Alain Llorca, que já comandou o Le Chantecler no Hotel Negresco em Nice, e agora tem uma casa com o próprio nome na cidade vizinha de St.-Paul-de-Vence; e o chef japonês radicado em Nice Keisuke Matsushima. Não é, então, nenhuma surpresa o uso hábil e original de produtos tropicais, sabores e ingredientes asiáticos e provençais por todo o nosso menu degustação.
A começar pelo delicado porém vigoroso salmão com abacate e molho de maçã verde, geleia de limão kaffir, e rougail — um molho creole de tomate e gengibre. Seguido de fatias de bife Angus servidas com cogumelos, agrião e consommé de cebola, incrementados por uma porção generosa de satay (o molho asiático de amendoim); e depois, um bacalhau cozido em missô, servido com frutas cítricas. Terminamos divinamente com um cheesecake de coco, acompanhado de abacaxi gelado salpicado de raspas de limão.
O valor de um peixe com sabor de peixe
Cagnes-sur-Mer não é o destino turístico que sua vizinha Nice é, e isso está de bom tamanho para o chef Jacques Maximin, de 64 anos. Depois de uma carreira que inclui a parceria com Roger Vergé no Moulin de Mougins, perto de Cannes, e duas estrelas Michelin com o Le Chantecler, em Nice, ele abriu o primeiro de seus restaurantes, Théâtre Jacques Maximin, num antigo teatro de Nice em 1989.
— Simplicidade é a chave para a felicidade, e também para uma boa comida — filosofa Maximin, a quem o celebrado chef espanhol Ferran Adrià define como "seu mentor".
Em 2010, ele reabriu o Le Bistrot de la Marine numa casa de pescador à beira-mar de 1869, pintada de amarelo-açafrão.
— Eu queria abrir um restaurante aonde todos pudessem vir — explica Maximin.
De fato, o menu de duas etapas por 25 euros servido nos almoços e jantares é um dos melhores negócios na Riviera (também há um cardápio à la carte). O chef foi laureado com uma estrela Michelin no ano passado, mas o maior orgulho de Maximin está na qualidade dos ingredientes:
— A maioria das pessoas não entende o luxo que é um peixe selvagem hoje em dia, mas espero que sintam a diferença.
O almoço de domingo tem um público diverso: um casal em trajes de linho, que chegou num Bentley, senta-se perto de uma matrona com o neto tatuado. Pedimos dois aperitivos geniais: ovos cozidos com beterrabas sob ovos de arenque, servidos com uma dose de sopa de beterraba e framboesa; e sopa de tomate cercando uma pequena ilha de tartare de robalo, almôndegas frescas e vagem.
Seguimos com um prato que prova por que Maximin é um dos melhores do país quando o assunto é peixe: um saint-pierre (tilápia) inteiro à niçoise, preparado em caçarola de cobre com molho "quatre quarts" — clássico do chef, que mistura iguais porções de azeite, água, manteiga e suco de limão — com tomates, batatinhas, azeitonas, erva-doce e tomilho.
— A boa receita de peixe é sempre a que deixa com mais gosto de peixe — disse Maximin, encolhendo os ombros quando o elogiei pela receita.
Boemia embalada a champanhe
Para quem procura o hoje raro ar da boemia que colocou a Riviera Francesa no mapa décadas atrás, não há lugar melhor ao longo da costa que do que a cidade velha de Antibes. Vá depois de escurecer, quando os turistas já foram e os locais lotam cafés em terraços iluminados por guirlandas de luzes penduradas entre as árvores. Com a excelente gastronomia provençal, a atmosfera amigável e artística torna o L’Armoise uma delícia.
Quando cheguei com um amigo fotógrafo no pequeno salão em uma noite de domingo, a voz de Amy Winehouse saía das caixas de som e o chef, Laurent Parrinello, nos cumprimentou de trás do balcão na cozinha aberta. Um hospitaleiro garçom nos serviu fatias de polenta branca sauté coberta de raspas de trufas de verão, harmonizando com o vinho branco local.
Parrinello muda o menu — duas entradas, pratos principais e sobremesas — semanalmente, de acordo com o que ele encontra no mercado próximo. Nossa entrada de risoto de aspargo, com coulis de ervas, era suave e ao mesmo tempo suculenta. Os pratos principais também foram excelentes: mignon de vitela com minicenouras, pomelo (grape fruit) e um molho de carne enlouquecedor; e robalo com pimentas piquillo e erva-doce.
Na sobremesa, acabamos engatando um papo com uma bela cantora norueguesa loura e bebericando champanhe noite adentro — um poético final de canção, clássico da Riviera, que bem harmoniza com a notável nova gastronomia.
Chat Noir, Chat Blanc: Fica na Rue Barillerie 20. Nice. Tel.  +33 (4) 9380-2869. Almoço para duas pessoas, sem bebida ou gorjetas, sai por 60 euros. Fechado aos sábados no almoço e aos domingo.
Flaveur: Rue Gubernatis 25. Nice. Tel.  +33 (4) 9362-5395. Menus de almoço custam 29 ou 37. Menus de jantar, 45 euros ou 70 euros. Fechado no almoço de sábado, e aos domingos e segundas-feiras.flaveur.net
Le Bistrot de la Marine: Blvd. de la Plage, Cagnes-sur-Mer 96. Tel.  +33 (4) 9326-4336. A refeição à la carte para dois sai por 150 euros em média. Menu fechado: 25 euros. Fecha segunda e terça-feira. bistrotdelamarine.com
L’Armoise: Rue de la Tourraque, Vieil-Antibes. Tel.  +33 (4) 9294-9613. Menus fechados por 40 euros, 45 euros ou 70 euros. Fecha às segundas.