sexta-feira, 15 de março de 2013

Onde garimpar tesouros na feiras e sebos de Lisboa




Feira da Ladra, o maior mercado de pulgas de Lisboa
Foto: Eduardo Maia / O Globo
LISBOA - Ao programar sua viagem a Lisboa, certifique-se de passar pelo menos um fim de semana na cidade. É quando acontecem as feiras e os mercados que ajudam a compreender melhor o cotidiano do país através dos mais variados objetos. A mais famosa é a Feira da Ladra, que acontece às terças-feiras e aos sábados na Graça, bairro vizinho à Alfama.
O endereço oficial é o Campo de Santa Clara, mas a feira se alastra pelas ruas e praças do entorno. A atividade remonta ao século XIII e já passou por vários pontos da cidade, até se fixar no endereço atual, em 1882. Há de tudo: azulejos de demolição, roupas usadas, brinquedos antigos, aparelhos de som fora de linha, artigos de decoração, artesanato e até cartas e fotos de família. Objetos de diversas partes da Europa podem ser encontrados, mas os itens mais raros e valiosos não estão ali, e sim nos muitos antiquários espalhados pela cidade. A Feira da Ladra é mais um divertido mercado de pulgas mesmo, com direito a artistas e comida de rua.
Muitos dos feirantes da Ladra participam também da Feira de Belém, mais focada em antiguidades. Outros vão para o Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, onde, todo domingo, acontece o Mercado das Colecções, voltado a numismática e filatelia. É possível encontrar moedas e notas antigas de todo o mundo, além de selos, álbuns de figurinhas, sachês de sal e açúcar, rótulos, embalagens e outros itens que viram a cabeça de quem tem queda por coleções. Manuseando as cédulas menos valiosas é fácil encontrar notas que serviriam de suvenires inusitados, como a de cem escudos portugueses, estampada com o rosto de Pessoa, a € 3.
Colecionadores de vinil também têm onde se divertir em Lisboa. As duas maiores referências na cidade são as lojas Carbono e Louie Louie, que vendem também CDs e DVDs. Já a Discolecção, no Bairro Alto, é exclusivamente voltada aos bolachões. Nas paredes, pôsteres de bandas de rock e jazzistas indicam a linha-mestra da casa, mas nas prateleiras há bastante variedade. Com atendimento mais personalizado e clima de reunião de amigos, o lugar é um perigo para quem perde facilmente a noção do tempo, entre um lado B de Led Zeppelin e um compacto de Amália Rodrigues.
Feira da Ladra: Sempre terças e sábados, das 7h às 17h.
Mercado da Ribeira: Fica no Cais do Sodré. O Mercado das Colecções acontece todo domingo, das 9h às 13h.
Discolecção: Calçada do Duque 53A. Aberta de segunda a sexta.


A bordo dos bondinhos, uma Lisboa para viagem




Loja de artesanato na Rua Augusta, na Baixa, em Lisboa
Foto: Eduardo Maia / O Globo
Loja de artesanato na Rua Augusta, na Baixa, em Lisboa Eduardo Maia / O Globo

LISBOA - Eles são as grandes estrelas das ladeiras — e não são poucas — de Lisboa. Estão raramente vazios e sempre que passam entram na mira das lentes dos turistas. Que os bondes (ou “eléctricos”, como são chamados pelos locais) são a melhor forma de conhecer a insinuante capital portuguesa, não há dúvidas. O que a maioria não percebe é que os bondinhos amarelos também servem como ótimos guias para um roteiro de compras, inclusive por bairros menos frequentados por visitantes. As vitrines, aliás, são outra ótima forma de conhecer a cidade e ver como ela aponta para o futuro sem abrir mão de suas tradições.
Cobrindo o circuito mais turístico, e por isso mesmo o mais disputado das cinco linhas municipais, o Eléctrico 28 corta os bairros mais tradicionais. Na Graça, ele deixa pertinho do maior mercado de pulgas de Lisboa, a Feira da Ladra; na Baixa e no Chiado, passa em frente a algumas das lojas mais antigas e badaladas da capital, com incríveis vistas para o Rio Tejo como brinde.
Uma de suas paradas fica no bairro da Estrela, bucólico recanto residencial, já longe dos holofotes da maioria dos estrangeiros. Para vivenciar mesmo uma experiência alfacinha, o bonde 25 é a opção. Ele circula pelas ruas da Lapa, bem menos boêmia que a homônima carioca, mas que merece uma parada para conferir a reaberta A Mimosa da Lapa, uma mercearia do início do século passado que vende tanto produtos portugueses típicos como obras de arte. E também chega a Santos, área que vem sendo revitalizada com lojas de design e decoração.
Em Santos passam também os bondes 15 e 18, populares por serem a forma mais charmosa de se chegar a Belém. Mas desça um pouquinho antes, na estação do Calvário, para conhecer a LX Factory, um complexo de lojas e ateliês que funciona em antigas fábricas desativadas.
Design e arte renovam antigas galerias
Ao saltar do bonde 28 em frente à Basílica da Estrela, saquei meu mapinha surrado para encontrar a Rua Bela Vista à Lapa, para a surpresa dos moradores, não tão acostumados a turistas de mapa em punho por aquelas bandas. Levei alguns minutos dobrando esquinas até achar a pequena via onde está A Mimosa da Lapa, uma mercearia de bairro que passaria despercebida caso não fosse o motivo daquela viagem. A fachada sem muito destaque é um verdadeiro tesouro lisboeta.
Fundada em 1932 por Adão Dantas, lembrado na inscrição no armário original, e fechada nos anos 1990, a mercearia foi comprada por três amigos, vindos de áreas de atuação diversas, como moda e artes plásticas. Em 8 de dezembro reabriram o lugar, dividido em três ambientes. No primeiro, a reprodução fiel da loja original, com prateleiras, balcões, piso e balanças da época. Nas vitrines, só produtos portugueses, de quase todos os cantos do país.
— Por enquanto o único território que não está representado aqui é a Ilha da Madeira. Mas logo teremos alguma coisa de lá — diz um dos sócios, Gabriel Garcia, um açoriano que puxa sardinha para os produtos do arquipélago, como o queijo da ilha e a queijada da Graciosa, ao listar os destaques da casa.
Mas há outros, como a broa de batata do Piódão, a cerveja artesanal Sovina, produzida no Porto, e os rebuçados de ovos, do Alentejo. Nos fundos, fica uma galeria de arte, aberta a novos artistas portugueses, e as bicicletas vintage, outra paixão do trio, vendidas ali. Um terceiro ambiente é usado para workshops eventuais, como de olaria e gastronomia.
Gabriel e seus sócios esperam que a região passe pelo mesmo processo de revitalização que transformou o aristocrático bairro de Príncipe Real num dos pontos mais interessantes da cidade hoje em dia. Somadas às atrações que por si só já justificariam uma visita à região vizinha ao Chiado e ao Bairro Alto (o Jardim do Príncipe Real, o Jardim Botânico e o Museu de Ciência), lojas modernas vêm ocupando os imponentes palacetes do eixo principal, formado pelas ruas da Escola Politécnica e Dom Pedro V.
É o caso da nova butique do estilista português Nuno Gama, aberta ano passado. Há ainda lugares onde o orgulho luso é deixado de lado e até a campainha tem sotaque francês. Os macarons e croissants do bistrô Poison d’Amour já são famosos na cidade. Quem tiver saudades de Paris pode entrar também na Charcuteria Moy, uma delicatessen que reúne produtos de marcas francesas como Fauchon, e oferece ainda chás ingleses e vinhos italianos, por exemplo.
Entre as lojas mais ousadas do bairro está a Espaço B, com roupas minimalistas e acessórios chamativos, além de discos de artistas alternativos e livros de arte. Esse tipo de literatura também ocupa boa parte da vizinha Fabrico Infinito. Os livros, todos da editora Babel (que publica a obra de Fernando Pessoa), dividem espaço com objetos de design que fogem do comum. Uma das peças mais populares é umheadphone com duas conchas nas pontas. Se for com tempo, vale a pena curtir a vista do Lost In, restaurante com pegada vegetariana e influências orientais, anexo à loja homônima, que vende roupas e tecidos indianos.
Outro bairro tradicional de Lisboa que passa por um processo de revitalização via comércio é Santos, uma antiga zona industrial à beira do Tejo. Lojas de design e decoração, escritórios de arquitetura, escolas de comunicação, bares e restaurantes começaram a tomar conta de galpões e armazéns a partir de 2005, quando foi criado o Santos Design District. O empreendimento mais recente da área é a filial lisboeta da Roche Bobois, com peças de alguns dos mais conhecidos designers europeus. Há espaço também para empresários locais, como os que ocupam o pátio interno do número 3 do Largo Vitorino Damásio. O lugar, uma antiga marmoraria, foi transformado por pequenas lojas e escritórios em uma simpática vila, onde a floricultura, com sua janela elíptica e um café com jardim suspenso se destacam.
Seguindo pela margem do rio, a bordo dos bondes 15 ou 18, é possível chegar a um outro espaço industrial transformado, a LX Factory, no bairro de Alcântara. Em 2007 um conjunto de empreendimentos moderninhos foi instalado na área da antiga Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, bem debaixo da Ponte 25 de Abril, a “Golden Gate portuguesa”. Para quem estiver interessado apenas em compras, o melhor dia para visitar é domingo, quando acontece o LX Market, que reúne, além dos lojistas do lugar, brechós e ateliês de outros pontos da cidade.
Amantes de música precisam fazer uma parada na Art’Orfeu Media, do selo português Orfeu. Seu forte é a canção popular portuguesa, sobretudo os cantores e compositores de protesto dos anos 1970, bastante em moda neste momento de crise. Está lá, por exemplo, toda a discografia remasterizada, relançada ao longo do ano passado pelo próprio selo, de José Afonso, autor de “Grândola Vila Morena”. A música foi o símbolo da Revolução dos Cravos e embalou milhares de pessoas na manifestação do dia 2 passado.
Livros sobre o movimento popular que derrubou a ditadura de Salazar e que jogam luz sobre a atual crise econômica europeia também estão em destaque logo na entrada da Ler Devagar. Mas você dificilmente notará isso de cara. Culpa do visual impactante da livraria. Instalada na antiga Gráfica Mirandela em Alcântara, a loja tem livros de cima a baixo e um café que reutiliza a antiga prensa central. Esculturas suspensas, de ciclistas voadores, tornam o lugar ainda mais surreal.
Todo tipo de lembrancinha
Postais com bondinhos, “camisolas” da seleção portuguesa, torres de Belém em miniatura. Nos bairros mais turísticos de Lisboa, as lojinhas de suvenires se enfileiram em busca de turistas apressados. Mas dá para levar para casa lembranças mais autênticas da cidade.
No Chiado fica a rua comercial mais famosa de Lisboa, a elegante Garrett, cheia de estabelecimentos badalados. O Café A Brasileira e sua popular estátua de Fernando Pessoa estão lá, assim como a ourivesaria Aliança (agora da rede Tous) e seu aspecto de casa de bonecas, e a livraria Bertrand, a mais antiga do mundo, aberta em 1732. É impossível não comprar um livro no mesmo local em que Fernando, em pessoa, atualizava sua biblioteca.
Mas a loja que dá uma verdadeira aula de história lusitana está na reservada Rua Anchieta. Com o sugestivo nome de A Vida Portuguesa, a casa é obra da jornalista Catarina Portas, que descobriu uma forma de contar histórias do cotidiano do país através de produtos tradicionalíssimos, de pastas de dente a atum enlatado. Para a maioria dos brasileiros, as referências podem não significar muito, mas é engraçado observar a reação de portugueses relembrando a infância e mostrando aos filhos e netos como se fazia a barba ou como se cozinhava “naqueles tempos”. A perfumaria da casa faz sucesso entre os turistas, assim como as andorinhas de cerâmica da fábrica Bordalo Pinheiro.
Um dos produtos vendidos é a conserva de peixes Tricana, marca tradicional que não se encontra em muitos lugares. Para comprar direto da fonte é preciso ir até a Rua dos Bacalhoeiros, na fronteira da Baixa com a Alfama, onde funciona a Conserveira de Lisboa, fundada em 1930 e dona da Tricana e de mais duas marcas de conservas: Minor e Prata do Mar. A casa é parada obrigatória para gourmets, portugueses ou não. Tudo ali respira ares do passado, do mobiliário ao desenho vintage das embalagens, passando pelos funcionários. Num cantinho, rotulando pacientemente as latinhas, uma senhora explica que os turistas geralmente se interessam pelas conservas de bacalhau e sardinha, sabores tipo exportação do país. Mas que, na opinião dela, as conservas de cavala vivem uma fase melhor. No total são mais de 80 sabores.
Dobrando a esquina e subindo a Rua da Madalena está a Santos Ofícios, que desde 1995 se dedica exclusivamente à arte popular de diversos pontos do país. O artesanato vendido ali foge do óbvio oferecido em outras lojas do tipo com obras garimpadas nas mais longínquas aldeias do interior de Portugal. Há peças caríssimas, é verdade, mas muitas são mais acessíveis que suvenires baratos e pouco originais.
Também na Rua dos Bacalhoeiros, ao lado da Casa dos Bicos, onde funciona a Fundação José Saramago, a Loja dos Descobrimentos atrai por seus azulejos de todos os tipos e tamanhos. Paisagens da cidade, natureza, figuras humanas e desenhos abstratos ganham vida nas placas de cerâmica, muitas pintadas pela proprietária. Ela, que pode ser vista trabalhando na loja durante o dia, também ministra cursos de pintura.
Se você acha que voltar de Portugal sem um Galo de Barcelos, o suvenir mais típico do país, não tem graça, uma dica é a Amar Lisboa, no Campo das Cebolas, aberta ano passado. Lá os ícones portugueses ganham nova roupagem, como os galinhos em cores vivas e estampas pouco usuais, como o calçamento ondulado do Rossio (que inspirou o de Copacabana). Camisetas bem-humoradas exploram o rosto de Pessoa, os bondes e o fado, e bolsas e pulseiras de cortiça mostram usos pouco comuns desse material que tem Portugal como principal produtor. Prova de que, mesmo nas lojas mais modernas, a nostalgia é o melhor suvenir desta terra.
SERVIÇO:
A Mimosa da Lapa: Rua Bela Vista à Lapa 94. Fecha segunda.amimosadalapa.pt.
Poison d’Amour: Rua da Escola Politécnica 32. Fecha segunda.
Charcutaria Moy: Rua D. Pedro V 111. Diariamente.
Espaço B: Rua D. Pedro V 120. Fecha domingo. espaco-b.com.
Fabrico Infinito: Rua D. Pedro V 74. fabricoinfinito.wordpress.com.
Santos District Design: As lojas da associação estão listadas emsantosdesigndistrict.com.
LX Factory: Rua Rodrigues de Faria 103. lxfactory.com.
Livraria Bertrand: Rua Garrett 73. bertrand.pt.
A Vida Portuguesa: Rua Anchieta 11. Fechada aos domingos.avidaportuguesa.com.
Conserveira de Lisboa: Rua Bacalhoeiros 34. Fecha domingo.conserveiradelisboa.pt.
Santos Ofícios: Rua da Madalena 87. Fecha domingo. santosoficios-artesanato.pt.
Loja dos Descobrimentos: Rua dos Bacalhoeiros 12. Diariamente. loja-descobrimentos.com
Amar Lisboa: Campo das Cebolas 44. Diariamente. dsc.com.pt.

domingo, 10 de março de 2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Novo Layout

Hoje mudei o layout do meu blog. Passa um olhar a partir de uma janela, de qualquer janela. O que é o mundo se não a forma e o ponto de vista de como o vemos. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A falsa oposição entre viver ou juntar dinheiro


Fonte: Valor Econômico

Faz sucesso na internet a carta de um ouvinte do consultor Max Gehringer da rádio CBN na qual aquele se orgulha de ter poupado pouco ao longo da vida, mas, por outro lado, ter vivido  com prazer. Cuidado, pois esse conselho serve para um grupo restrito de pessoas.
Dias atrás uma amiga mostrou-me um e-mail que reproduzia a carta, chamada “Viver ou Juntar Dinheiro?”, de um ouvinte do famoso consultor Max Gehringer. Digitei o título no Google e deparei-me com dezenas de referências elogiosas à citada carta. Há até um vídeo no YouTube onde aparece a figura do consultor e, ao fundo, a gravação do programa na rádio.
O texto é cativante por ser simples. O simples geralmente é belo. O simples atrai. A beleza de uma obra de arte está relacionada à sua simplicidade. Mas aquela carta não é literatura, ela trata de finanças pessoais. E quando falamos de dinheiro, conselhos simples tornam-se simplórios e podem gerar decisões equivocadas.
O ouvinte diz: “Li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico”. “Descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário. Bastava (...) não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis”. “Percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500 mil na conta bancária. É claro que eu não tenho esse dinheiro”. E conclui com orgulho, dando um conselho: “Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer. Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida”.
Permito-me discordar parcialmente da visão do leitor. Tenho o álibi de não ser mais tão jovem. A recomendação dos consultores para poupar não tem o objetivo de gerar uma riqueza estéril. Não serve para o aplicador viver tal como um Tio Patinhas sentado em cima de suas moedas, enclausurado em um cofre forte. A recomendação dos planejadores financeiros não pretende transformar os poupadores em meros sovinas, avarentos, mesquinhos.
A construção de um patrimônio tem o intuito de preparar as pessoas para a aposentadoria quando a capacidade laboral se reduzir. É mais fácil poupar enquanto se é produtivo.
O conselho do ouvinte serve para uma pequena parcela da população que não necessita constituir poupança ao longo da vida produtiva. Falo dos seguintes grupos:
1)      Funcionários públicos que se aposentarão com o salário integral e cujos orçamentos domésticos caibam “dentro” dos seus proventos;
2)      Pessoas que herdarão grandes somas no futuro de seus ascendentes, descendentes ou colaterais cujos valores suportarão seus gastos ao longo da aposentadoria;
3)      Pessoas que se retirem pelo INSS e consigam gastar menos do que suas aposentadorias. Lembrando que o teto do INSS é R$ 3.916,20;
4)      Aposentados que gastam mais do que suas aposentadorias, mas que tenham alguém – filhos, sobrinhos, amigos – que suporte seus gastos extras;
5)      Os felizardos ganhadores de grandes somas em jogos de azar – loteria, megasena etc;
6)      Aqueles que morrerão antes de se aposentarem (acredito que ninguém queira fazer parte dessa turma).
Para todos os demais, não há outra solução a não ser gerar poupança durante a vida produtiva, constituindo um patrimônio com base em uma carteira de ações, imóveis, Tesouro Direto, renda fixa ou uma combinação desses ativos.
Se o ouvinte da rádio fosse um aposentado do INSS, tivesse uma aposentadoria de R$ 3 mil, gastasse R$ 7 mil por mês e os juros reais se mantivessem em 2% nos próximos anos, os R$ 500 mil citados seriam consumidos em pouco mais de 11 anos. Acredito que aí o ouvinte, aos 72 anos, se arrependeria de ter escrito a tão saudada carta ao perceber que mesmo os R$ 500 mil que ele não conseguiu poupar não teriam sido suficientes.
O tamanho do patrimônio necessário para suportar os gastos na aposentadoria depende de duas variáveis. Uma está sob controle do investidor – seus gastos mensais. E outra ele não pode influenciar – os juros reais.
Se você não faz parte dos seis grupos acima, será necessário viver e juntar dinheiro ao mesmo tempo. Será tão difícil? Não se “viver bem” não significar necessariamente consumir.
O artigo acima foi publicado no Valor Econômico. Penso que todas essas análises se perdem na falta de um olhar sobre o mundo real que vivemos no Brasil. Salvo os seis grupos citados acima, o resto da população convive com baixos salários, pagamento em dobro de todos os tributos uma vez que se desconta para a previdência e se tem que pagar um plano de saúde, paga-se impostos altíssimos e paga-se a escola particular para o filho. Enfim no plano teórico tudo é possível, no mundo real nem tanto. 


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Indiano no centro do Rio de Janeiro

Se você quer comer comidinhas deliciosas, em um verdadeiro oásis de paz e tranquilidade no meio de toda a confusão do centro vá ao Veggie Gevinda. Um atendimento super simpático. Fica na R São José, 86 Sobreloja - Entrada pela Rodrigo Silva, 6. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Café Sorelle

Não é mistério que adoro café. Principalmente os especiais. E tudo que é feito com café. Esta cafeteria é especial, cafés, doces a base de, sorvetes a base de café. Vale apena conhecer. Veja mais em Café Sorelle

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pipa ao sabor do vento


Do encontro do mar com as falésias nasceu a Praia da Pipa, localizada no município de Tibau do Sul, cercada por uma vegetação abundante da Mata Atlântica sob o sol que brilha o ano todo temperado pelo vento frequente. Essa pequena vila de pescadores a cerca de 85 quilômetros de Natal, no litoral sul do Rio Grande do Norte, aos poucos foi se tornando cosmopolita e internacionalmente conhecida sem perder a tranquilidade e o bucólico charme. Nas ruas entre pescadores com seus balaios cheios de atum, lagostas e dourados frescos misturam-se europeus, brasileiros, sul-americanos e norte-americanos que chegam para passar férias, praticar stand up paddle, kitesurfe, surfe ou simplesmente botar o pé na areia, relaxar e aproveitar as diversas praias com golfinhos dando saltos e encantando os banhistas nas praias do Madeiro e do Curral e na imponente Lagoa de Guaraíras, que atrai os turistas com o belo pôr do sol. Uma dica: chegando na lagoa, pergunte pelo Sérgio, um paranaense que cria ostras e as vende num isopor, realmente são deliciosas e frescas.
Ao ar livre. Natureza e esportes aquáticos em orla preservada
Quem gosta de caminhar deve aproveitar o período de maré baixa para conhecer as praias que separam Tibau de Pipa. São oito quilômetros saindo da Praia do Giz, com falésias rosadas e formação rochosa vulcânica. Depois encontram-se a deserta Cacimbinhas — preferida dos kitesurfistas —, Praia do Madeiro — ponto de encontro para os mais jovens —, Baía dos Golfinhos, a badalada Praia do Centro, com vários quiosques que vendem comida, com destaque para a Barraca da Neide, que serve deliciosos caldos de peixe, polvo e camarão.
Depois aproveite as piscinas naturais que se formam durante a maré baixa e numa esticada, alcance a Praia do Amor, frequentada pelos surfistas.
Vale dizer que boa parte da orla é área de preservação ambiental e de tartarugas marinhas. Algumas moram nessa região e outras migram todos os anos para desovar na deserta Praia das Minas, onde, pode-se até dizer, o vento faz a curva, já que é local de mar aberto, pouco indicada para os banhistas pela forte correnteza, mas perfeita para quem gosta de surfar.
A fauna é muito rica. Há saguis, considerados os menores símios do mundo. E esses dóceis e travessos macaquinhos podem ser vistos em pequenos grupos durante o dia nas árvores, mas cuidado porque são bem gulosos. Há também iguanas e pássaros, como a garça-azul, e caranguejos que povoam os manguezais que cercam a lagoa. Um luxo tropical.
Mas, qual o segredo de Pipa para se destacar de tantas outras praias espalhadas pelo Nordeste brasileiro? O glamour, segundo o francês Remi Quique, de 31 anos, proprietário do Sossego Surfcamp, em Tibau do Sul, que como muitos outros deixou seu país e veio morar na região trazendo diversidade cultural e gastronômica, sem falar na ótima infraestrutura hoteleira. A cidade tem um lado boêmio e só começa a acordar depois do almoço, já que tem vida noturna, principalmente nos fins de semana, com bares abertos até o amanhecer.
Mas para quem veio procurando bons ventos como Remi o dia começa cedo investigando a tábua de mares, o vento e o melhor lugar para praticar kitesurfe, que pode ser na Praia do Amor, onde está a Pedra do Moleque, em formato de barril, que chamou a atenção dos navegadores portugueses que passaram por aqui e resolveram dar o nome de Pipa a esta praia. E ainda há a bela e tranquila Praia de Cacimbinhas, favorita dos kitesurfistas, protegida pelas falésias, dunas e coqueiros ao redor. O Sossego Surfcamp oferece aulas de stand up paddle, kitesurfe e surfe com transporte, hospedagem, material e instrutores incluídos.
Na rua principal de Pipa, na Avenida Baía dos Golfinhos, estão concentrados os bares, vários restaurantes e a maior parte das lojas, com destaque para a Pé de Jambo, com artigos selecionados em Bali pela proprietária Magda Pimentel, que todos os anos passa uma temporada na Indonésia garimpando tudo de mais bonito para trazer para Pipa. Nesta mesma rua também está o Pipa Aventura, uma central de reservas de passeios, com opções diversas, de passeios de caiaque pela Lagoa de Guaraíras, de quadriciclo, sandboard e muitos outros passeios.
Também não faltam opções para quem quer só relaxar em Pipa. É possível reservar uma dia para passear de barco navegando pelas praias de Pipa e Tibau do Sul das 9h30m até as 16h, saboreando peixes e frutos do mar grelhados na hora, a recomendação é o barco Maria Maria, popularmente conhecido como “Galego”. E, para quem quer conforto em terra firme à beira-mar, há ainda o charmoso Ponta do Pirambu, na Praia do Giz, um elegante complexo com jardim, piscinas, centro de massagens, bar e restaurante espalhados numa área com uma vista linda. O acesso pode ser pela praia mas o melhor e descer pelo elevador rústico de madeira no meio da vegetação e apreciar o mar em frente ou se aventurar pela escada com centenas de degraus.
O Ponta do Pirambu funciona em sistema de “day use”, onde se paga para entrar e este valor é uma consumação mínima.
Gastronomia. Influência asiática à mesa
Um dos encantos de Pipa para muitos é o vento frequente, principalmente entre os meses de julho a dezembro, perfeitos para o kitesurfe, modalidade que tomou o lugar do windsurfe nas Olimpiadas do Rio em 2016. E foi atrás dos bons ventos e das ondas que o inglês Jason Butterfield, adepto do kitesurfe (e autor das fotos desta reportagem), e o italiano Fabio Santoro, surfista nas horas vagas, chegaram em terra potiguar e decidiram abrir em 2010 o restaurante Aqui, com ambiente charmoso e agradável, terraço com jardim onde se escutam as ondas do mar, ótima seleção musical e cardápio com inspiração nas cozinhas asiática e mediterrânea elaborado pela chef dinamarquesa Signe Noerregaard Thoegersen. A filosofia do Aqui é bem simples: “food, arts & friends”, e é por isso que um amigo dos sócios, o chef italiano Marco Sforza chegou para trabalhar com Signe nesta temporada de verão.
Marco fez sua formação profissional com o renomado chef milanês Gualtiero Marchesi, considerado fundador da moderna cozinha italiana, e impressiona com um currículo com passagem por restaurantes como o Nobu, em Nova York. Não deixe de experimentar o atum caju, o peixe thai e o chateaubriand. Os pratos têm frescor e uma combinação de sabores muito interessantes. No final, saboreie o sorvete de coco com abacaxi assado no forno com especiarias e termine com um bom cappuccino acompanhado de biscotti. Com certeza, mais novidades culinárias vão aparecer em breve no menu agora assinado por Signe e Marco. Segundo o mestre Gualtiero Marchesi, “a culinária é uma ciência e o trabalho do chef é transformá-la em arte”.
Seguindo a rota culinária, vale experimentar o descontraído restaurante Tapas, do jovem casal paulistano Lucas Soares Ferreira e Nicole Yuri Kondo, onde o cardápio é oferecido em grandes quadros negros nas paredes. As opções são variadas: atum com crosta de gergelim, tortilla espanhola, filé ao gorgonzola e laranja e camarão ao mel e gengibre, entre outros, mas todos com toque asiático e sabor ibérico, já que Nicole é descendente de japoneses e eles se conheceram em Lisboa. Esta combinação é um sucesso desde o final de novembro de 2004, quando o restaurante abriu as portas. O atum é um peixe ainda bastante encontrado no mares brasileiros, mas um requinte para os paladares europeus onde já se tornou escasso.
Para quem prefere a cozinha italiana a opção é o Ristorante e Pizzeria dall’Italiano, com pizzas artesanais, e massas frescas — não perca o nhoque com ragu de pato, e pergunte ao barman pelas grappas. Os proprietários Paolo Cappelari e Michela Moro são da região do Veneto e ela é nascida na cidade de Bassano di Grappa, então sempre os amigos e a família estão trazendo grappas de ótima qualidade que podem ser degustadas depois do jantar. Por falar em nhoque experimente as massas frescas do chef italiano Michele Vassallo do Pan’e Vino e o limoncello, licor de limão tradicional na Itália, feito por ele e oferecido gelado como digestivo. Para quem gosta de sorvete italiano a pedida é a Gelateria Preciosa, de fabricação artesanal, com cerca de 16 sabores cremosos, de dar água na boca, oferecidos diariamente.
Agora e só entrar no clima do Nordeste, sentar, relaxar e tomar uma água de coco, ou então, por que não, uma caipirinha de caju? A temporada desta exótica fruta é uma oportunidade única de visitar o maior cajueiro do mundo em Pirangi do Norte, segundo o Guinness Book of Records, cobrindo uma área de quase 8.400 metros quadrados, com circunferência de 500 metros. Pirangi fica no caminho de Natal para Tibau do Sul, na costa potiguar a 12 quilômetros ao Sul de Natal, então vale a pena dar uma passada por lá para ver o impressionante cajueiro repleto de flores e frutos.
Vale a pena lembrar que a badalada Praia da Pipa fica bem tranquila entre maio e junho, quando há maior incidência de chuva e o sol não brilha sempre, então muitos restaurantes fecham para as férias e os turistas, e até os moradores, desaparecem. Para saber de tudo que está acontecendo na cidade, como os eventos da semana, a tábua das marés e mais um guia completo de bares, restaurantes, hotéis, mapas e muito mais e só acessar o aplicativo para smartphone Livepipa que já faz sucesso entre os turistas.
Serviço
Passeios
Pipa Aventura: Av. Baia dos Golfinhos 654, Praia da Pipa. Tel. (84) 3246-2008. pipaaventura.com.br
Barco Maria Maria: Saindo da Praia da Pipa para a Lagoa de Guaraíras, das 9h30m às 16h, com almoço de peixes e frutos do mar grelhados com drinque incluído (R$ 130).
Bicho do Mangue: Passeio de caiaque por 3 horas na Lagoa de Guaraíras (R$ 30).
Onde comer
Tapas: De terça-feira a sábado, das 18h às 23h. Não aceita cartões de crédito. Rua dos Bem-te-vis 8. Tel. (84) 9465-4468.
Aqui: De quarta-feira a segunda-feira das 19h às 23h. Rua da Gameleira 69. Tel. (84) 9974-9535.
Ristorante Dall’italiano: Diariamente, das 18h às 23h30m. Rua do Céu 17. Tel. (84) 9152-8651.
Pan’e Vino: De terça-feira a domingo das 18h30m às 23h. Não aceita cartões de crédito. Rua da Albacora 90-A. Tel. (84) 9978-1057.
Gelateria Preciosa: De quarta-feira a segunda-feira das 12h às 24h. Não aceita cartões de crédito. Av. Baía dos Golfinhos 1.074. Tel. (84) 9600-2276.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Casa dos sonhos - Aspen

Mais do que o valor $36M, a beleza do projeto, a integração perfeita com o local. Veja AQUI

Francês no Centro do Rio de Janeiro

Talvez o melhor francês do Rio de Janeiro. Situado em um prédio que já foi a sede do Tesouro Nacional, na época de D João, o restaurante apresenta um excelente cardápio, atendimento impecável, sobremesas maravilhosas e uma padaria fantástica. Brasserie Rosario

Bistrô no centro do Rio de Janeiro

Quem procura um lugar tranquilo para tomar um café, ler um jornal, ou responder aos primeiros e-mails do dia, vá ao Bistrô Ouvidor. Um bom local para um café da manhã de negócios.

Pousada em Búzios

Búzios é um lugar fantástico. Pela proximidade do Rio de Janeiro, cerca de 180 KM, é possível fazer uma pequena fuga, recuperar as energias e voltar a trabalhar. Uma sugestão: Pousada AbraCadabra

Mercado de San Miguel - Madri

Para um tour gastronômico  vale a pena conhecer o Mercado de San Miguel. Esta no mesmo lugar desde 1835, quando era uma feira livre hoje é o maior mercado construído em uma estrutura de ferro fundido.