sábado, 14 de abril de 2012

+ Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!

Sobre o fluxo da vida



Textos de Charles Chaplin

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito
?


Descrição: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/files/2012/04/silvio-pereira-460x287.jpg

Se o mensalão foi uma farsa, como recita Rui Falcão a 30 piscadas por minuto, o Brasil conseguiu produzir um espanto jurídico ainda mais impressionante que a colossal roubalheira descoberta em 2005: o erro judiciário endossado pela vítima. O injustiçado voluntário seria Sílvio Pereira, o Silvinho Land Rover, secretário-geral do PT quando Roberto Jefferson resolveu abrir o bico sobre o maior escândalo da história da República.
Em janeiro de 2008, decidido a escapar do processo em curso no Supremo Tribunal Federal, o mensaleiro assustado topou fechar um acordo com a Procuradoria Geral da República. Em troca da suspensão do julgamento por formação de quadrilha, dispôs-se a cumprir uma pena alternativa ─ três anos de serviço comunitário numa subprefeitura de São Paulo. Como atesta o noticiário da época, as  duas partes julgaram ter feito um bom negócio.
A Procuradoria conseguiu do réu uma silenciosa confissão de culpa: se fosse inocente, o réu aguardaria sem medos a decisão da Justiça. O delinquente ficou feliz com o tamanho do castigo, extraordinariamente suave para quem se enfiou até o pescoço no pântano da ladroagem, e com a chance de voltar a dormir sem sobressaltos. Silvinho Land Rover não sabia o que era isso desde julho de 2005, quando teve de afastar-se da direção do PT e ganhou a alcunha inspirada na  marca do veículo presenteado por um fornecedor da Petrobras ao figurão que lhe abrira furtivamente as portas do Planalto.
Submerso há mais de quatro anos, pode ser ruidosamente devolvido à ribalta pela aproximação do  julgamento de que escapou. Depende do resultado. Se o STF sucumbir ao show de cinismo ensaiado por Lula, Rui Falcão e seus devotos, ignorar a montanha de provas e absolver os 38 pecadores que continuam no banco dos réus, ficará estabelecido que não houve mensalão nem mensaleiros. Caso seja erguido esse monumento ao absurdo, espera-se que algum ministro togado, em parceria com o presidente do PT, tenha a bondade de desvendar o enigma indecifrável desenhado pelo caso de Silvinho Land Rover.
Pela primeira vez na história do Judiciário, um acusado fez questão de ser punido por um crime que ninguém cometeu. E cumpriu a pena sem queixas.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Reflexões

É maravilhoso olhar para trás e ver toda a estrada percorrida até aqui. Cada vida tem o seu próprio ritmo, as suas próprias experiências. Cada uma é única. Singular. Sou um vitorioso, por ter chegado até aqui. Me orgulho de cada marca de meu rosto. Com certeza representam um momento vivido. A vida não é boa nem má. É apenas vida e o que fazemos dela. 

sábado, 7 de abril de 2012

Resposta literal de Angela Merckel à Dilma




TEXTO ORIGINAL
Brasilien kritisiert Euro-Geldschwemme 
Präsidentin Rousseff und Kanzlerin Merkel: Nicht immer einer Meinung
Auf der Computermesse Cebit kam es zum Schlagabtausch: Die brasilianische Präsidentin Dilma Rousseff kritisierte die Milliardenspritzen, die die Europäische Zentralbank in die Finanzmärkte pumpt. Bundeskanzlerin Angela Merkel versprach Besserung - und teilte selbst aus. Hannover - In den Schwellenländern wächst die Angst vor einer Geldschwemme aus Europa und den USA . Nach einem Treffen mit Bundeskanzlerin Angela Merkel (CDU) auf der Computermesse Cebit äußerte Brasiliens Präsidentin Dilma Rousseff scharfe Kritik an der Politik des billigen Geldes.

http://www.manager-magazin.de/politik/weltwirtschaft/0,2828,819709,00.html 

TRADUÇÃO
Diante da arrogante reação da “ENTA...” Dilma, a Chefe de Estado alemã, Angela Merkel, deu entrevista à TV alemã ontem à noite:

- Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos de fazer?  Ora,  a Alemanha vai bem obrigada apesar de tudo.  Mas vou aproveitar para dar um conselho a ela...  antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas,  por que ela não diminui os gastos do governo dela e também os juros que são exorbitantes no Brasil?   Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, não vou ser eu que direi ao meu povo que não faça isso.

Ela que torne a especulação no país dela menos atraente.

quinta-feira, 5 de abril de 2012


Entre propinas e propósitos

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Para toda grande caminhada é preciso dar o primeiro passo…
No último domingo à noite, eu e meu filho assistíamos no Fantástico uma reportagem sobre Propinas, Superfaturamentos e Corrupção.
Enquanto me revoltava com a matéria, pude perceber que meu filho, com seus quase dez anos, não estava entendendo exatamente o que era retratado na reportagem.
Então, fiz questão de explicar, em detalhes, começando por aquilo que se passa em Brasília e terminando pelo comportamento das pessoas comuns que fazem questão de levar vantagem em tudo ou que oferecem propina para o policial não aplicar uma multa.
Ele entendeu bem. Não só entendeu, como também ficou indignado. Para ele isso era algo inaceitável.
Saí da conversa feliz com o meu papel de pai educador e tranquilo por meu filho ter aprendido a importante lição da honestidade.
O que eu não poderia imaginar era que, muito em breve, essa minha satisfação se transformaria em frustração.
Três dias depois, quando ele chegou da escola eu já estava em casa. E, como sempre faz nessas situações, deu-me um abraço e um beijo e começou a me contar as experiências do dia.
“Pai, o tio da cantina é muito burro”, disse ele.
Aquela frase me deixou alerta. Primeiramente pelo vocabulário agressivo e, sobretudo, porque essa frase demonstrava que algo de errado havia acontecido.
Curioso com o desfecho, incentivei para que continuasse contando a história.
“Pai, o meu amigo comprou uma mini pizza que custava 3 reais. Deu dois reais para o tio e ele ainda devolveu um real de troco. É muito burro mesmo.”
“E seu amigo devolveu o dinheiro?”, perguntei com uma remota esperança.
“Não!”
“E você acha que ele agiu certo?”
“Claro. Ficou com mais dinheiro. O tio é burro mesmo.” disse ele.
Fiquei desolado. Pensei em nossa conversa de domingo. Foi como se não tivesse valido nada. Papo jogado fora.
Passado o baque, refleti um pouco mais e percebi que essa não era uma avaliação correta. Na verdade, não dava para avaliar o impacto da conversa de domingo apenas em função do fato ocorrido na escola.
Cabia aqui uma reflexão mais profunda sobre a influência do ambiente no comportamento das pessoas e, mais especificamente, a influência daquilo que já está arraigado à mentalidade do povo brasileiro como um todo.
É preciso entender que a tendência do nosso meio social é a de aderir à cultura do levar vantagem em tudo. Isso acontece com adultos no ambiente de trabalho, com crianças na escola e, até mesmo, em muitas relações familiares.
No Brasil, os ambientes sociais estão impregnados, infestados, por uma mentalidade corrupta.
E, se queremos viver em um país melhor, temos três caminhos: Sair daqui, torcer para que um dia as coisas mudem por aqui ou agir para mudar essa realidade do Brasil.
Dirijo-me então àqueles que querem lutar contra essa cultura.
Se queremos mudar o amanhã, precisamos hoje formar pessoas que acreditem que não se pode levar vantagens em cima dos outros. Pessoas com senso de justiça e de solidariedade.
E é justamente aí que entra a grande importância de conversas como aquela de domingo.
Uma conversa ou uma ação, sozinha, não forma e tampouco transforma. Mas um conjunto de ações, um conjunto de estímulos contrários a essa mentalidade vigente é capaz de criar novas percepções e, a partir disso, uma nova realidade.
É como uma luta de forças, uma queda de braços.
De um lado, a cultura viciada que naturalmente leva um garoto a enrolar o “tio da cantina”. Do outro, a sincera e comprometida vontade de reverter essa cultura.
O caminho mais simples, mais natural e mais fácil é manter o “status quo”. Já o caminho da transformação é árido, lento e bem mais difícil. Mas, é um caminho possível. Um caminho que podemos percorrer.
Porém, para isso é preciso ser persistente, muito persistente. Afinal, nesse jogo de forças, muitas vezes, o injusto vai prevalecer sobre o justo. A mentira vai prevalecer sobre a verdade.
É preciso ter um propósito, um firme propósito. Afinal, muitas vezes, os fatos à nossa volta tentarão nos dizer que fazer o que é certo é bobagem. Que ser correto é ser trouxa.
Por isso estou bem certo de que a caminhada é longa.
Sejamos, então, firmes em nossos passos.
Um carinhoso abraço!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Amigos


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que 
permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que 
tivessem morrido todos os meus amores,
mas 
enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ... 
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. 
Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso 
lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
 
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. 
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
 
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não 
tem noção de como me são necessários,
de como são 
indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles 
fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda 
furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo 
comigo, todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só 
desconfiam - ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinicius de Moraes  

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes

domingo, 1 de abril de 2012

Roma revela as suas delícias




A enoteca Il Gocceto, nos arredores do Campo de’ Fiori, uma das melhores de Roma
Foto: Bruno Agostini / O GLOBO
A enoteca Il Gocceto, nos arredores do Campo de’ Fiori, uma das melhores de RomaBRUNO AGOSTINI / O GLOBO

ROMA - O jantar no restaurante Pipero al Rex, no Hotel Rex, na Via Torino, espécie de continuação de Monti, bem perto da Stazione Termini, estava sendo incrível. A cozinha equilibra de maneira muito bem dosada a tradição com a modernidade, com um serviço cordial, capaz de nos fazer esquecer de que estamos em um "ristorante" em hotel de luxo. Um lardo di Colonatta memorável abriu os trabalhos, seguido de outros pequenos bocados deliciosos. Até que chegou um sanduichinho, nada além de dois discos de torrada de ótimo pão, finos e delicados, recheadas com tartare de ganso, cubinho de maçã verde com um toquezinho de mostarda de Cremona. Deu uma vontade de se levantar da mesa e aplaudir. O menu degustação da noite manteve o alto nível, com um inesquecível creme de batatas no sifão com ovo e avelãs tostados no fundo, dando crocância e novos sabores à receita, um raviolini com creme de espinafre muito rico e equilibrado e um espaguete à carbonara exuberante, amarelo devido à dose extra de gema de ovo, que colaborou para elevar o sabor do pecorino e do guanciale (um bacon especial, feito com as bochechas do porco). Mas o que não sai da memória é o tartare de ganso perfeito, e além das boas harmonizações do sommelier do restaurante, uma das melhores novidades recentes da gastronomia de Roma, inaugurado em outubro — e candidato à conquista de estrela Michelin na próxima edição do guia, com menu degustação de nove pratos a 90 euros que vale cada centavo. Ah, se vale.
Porque a verdade é que em Roma podemos comer bastante bem gastando muito pouco, ao contrário de outras capitais europeias. Com 2 euros comemos um respeitável e delicioso pedaço de pizza, mesmo nas áreas mais turísticas da cidade. E basta uma dezena de euros para almoçar bem numa trattoria tradicional.
Mas para os que gostam de escolher restaurantes cotados com estrelas, vale saber que o La Pergola, do chef Heinz Beck, no Hotel Rome Cavalieri, é um único a ostentar a classificação máxima de "trois étoiles". A edição 2012 do "Guide Rouge" lista, ainda, uma dupla de restaurantes com duas estrelas (Oliver Glowig e Il Pagliaccio), além de outros oito com uma estrelinha.
Melhor mesmo é se dedicar a conhecer locais mais típicos e baratos, como, por exemplo, a trattoria Armando Al Pantheon, tradicionalíssima, inaugurada em 1961 pertinho do monumento milenar. Ali o chef Claudio Gargioli prepara uma cozinha autêntica e bastante característica de Roma, descomplicada e deliciosa, com base em ingredientes de qualidade (prove a salada de feijão branco temperada com cebola, azeite e aceto balsâmico para ver só).
No pequeno salão, com atendimento cordial e familiar, não pode faltar um carbonara perfeito, além de ser um dos poucos lugares que servem atualmente a pajata, um prato muito tradicional da capital italiana: trata-se de intestino de de vitelo jovem, alimentado apenas com leite, uma delícia daqueles que arrasam preconceitos à mesa (ir a Roma e não ver o Papa não é grave, mas não provar pajata, sim, é um equívoco total). Não tem perdão.
Roscioli, um lugar para ser feliz
Programa essencial para desvendar todos os sabores de Roma é explorar as enotecas da cidade, eterno epicentro de toda a produção italiana, reunindo o que há de melhor no país, além de boas seleções de rótulos estrangeiros, algo não muito comum por lá. Neste roteiro pelas delícias romanas jamais pode faltar uma visita, ao menos, à Salumeria Roscioli, um misto de restaurante, delicatessen, enoteca e padaria, onde encontramos tudo de que precisamos para ser feliz comendo e bebendo.
— A carta de vinhos de lá é excelente. Não apenas a italiana, mas a de vinhos de outros países também é extraordinária. Fiquei impressionado com as opções de champanhes, divididas em não-safrados, safrados, blanc de blancs, rosés, além de uma verdadeira coleção de Krug de diversas safras. Há ótimas opções de Barolo, divididos por comunas (La Morra, Serralunda, Barolo). Acabei comprando três garrafas de Barolo 2007. Um do Bartolo Mascarello e dois do Beppe Rinaldi (Cannubi/San Lorenzo/Ravera e Brunate/Le Coste), e também um Trebbiano d’Abruzzo 2008 Valentini — diz o paulista Alexandre Bronzatto, crítico de vinhos da revista "Gosto", um especialista em Itália. — A comida é do jeito que eu gosto. Massas rigorosamente al dente e molhos clássicos executados como manda a tradição. Carbonara e Cacio e Pepe impecáveis! — completa Bronzatto.
De fato, a seleção de vinhos é extraordinária, e apresenta muitas raridades, como o delicado Massa Vecchio Rosato 2005, de um produtor que faz apenas 3 mil garrafas por ano.
— Cerca de 80% dos nossos produtos são italianos, mas gostamos do que é bom, e procuramos ter aqui uma variedade de bons produtos estrangeiros — conta Alessandro Roscioli, que cuida da delicatessen, que este ano completa dez anos, enquanto o seu irmão, Pierluigi, se dedicada ao l’Antico Forno Roscioli, um dos locais mais tradicionais da cidade para comer pizzas e pães variados.
E a cozinha alcança altos níveis, executando um bom repertório de receitas baseadas na excelência da matéria-prima, como um tartare de Fassona, carne delicada do Piemonte, e no espaguete à carbonara, esse clássico romano, adorável combinação de massa de qualidade cozidas no tempo certo com guanciale (crocante, crocante), uma espécie de bacon feito com as bochechas do porco, queijo pecorino romano, ovos e boa dose de pimenta-do-reino, resultando num prato cremosamente delicioso (o Roscioli vende até um kit, com todos os ingredientes, um suvenir-delícia).
Da mesma maneira que a lista de vinhos diz não à xenofobia, o mesmo acontece com a seleção comidas disponíveis. Entre as grandes escolhas que podemos fazer ali estão embutidos e presuntos de marca espanhola Joselito, a maior referência no assunto. Ou uma burrata coroada com caviar, combinação ítalo-russa formidável.
Outro endereço fundamental nesta intensa maratona de sabores é a enoteca Il Goccetto, ali pelas bandas da graciosa Campo de’ Fiori. O lugar, pequenino, é um verdadeiro baú de gostosuras engarrafadas (ou não). Para beber encontramos muitos vinhos em taça, e raridades com uma garrafa magnum (de um litro e meio) do Gravner Anfora Ribolla Gialla da safra de 2001, um vinho do Friuli feito em ânforas de barro, como na Antiguidade, líquido precioso, lindamente dourado com aromas que misturam notas amendoadas com mel e toques florais e algo cítrico, deixando uma intensa mineralidade. Um vinhaço. Para acompanhar, tomatinhos-cereja da Púglia, cogumelos em conserva e pratos com queijos, embutidos e carnes curadas.
Espalhadas pela cidade existem muitas ótimas lojas para abastecer a adega: a Enoteca Costantini, na Piazza Cavour, e a Vineria Prati, não muito longe dali, na Via Marianna Dionigi.
ONDE COMER
Armando al Pantheon: Salita dei Crescenzi 31. Tel. (39) 06-6880-3034. armandoalpantheon.it
Pipero al Rex: Via Torino 149 (Hotel Rex). Tel. (39) 06-4891-6798. alessandropipero.com
La Pergola: Via Alberto Cadlolo 101 (Hotel Rome Cavalieri). Tel. (39) 06-3509-2152 romecavalieri.com
ENOTECAS
Enoteca Constantini: Piazza Cavour 16. Tel. (39) 06-320-3575.pierocostantini.it
Il Goccetto: Via Banchi Vecchi 14.Tel. (39) 06-686-4268.
Vineria Prati: Via Marianna Dionigi 44. Tel. (39) 06-323-4580.vineriaprati.it

terça-feira, 13 de março de 2012

A geração dos sem-idade




As mudanças na alimentação e no cotidiano do grupo cada vez maior  de pessoas capazes de parar o relógio biológico

 RIO — Antes mesmo de começarem, as Olimpíadas de Londres já lançam novos limites para o corpo humano. Pela primeira vez, a equipe americana de natação terá nas seletivas duas atletas com mais de 40 anos — ambas com tempos fabulosos e impensáveis para a sua idade. O Japão poderá levar um cavaleiro de 70 anos às provas de hipismo dos Jogos.

Esses superatletas são exemplos visíveis e radicais de pessoas que integram o grupo crescente dos sem-idade. Gente que parece ter muitos anos menos e vive muitos anos a mais do que as pessoas da mesma idade de duas ou três gerações atrás. Atletas de elite treinam em condições extremas e alcançam condicionamento impossível para a maioria dos mortais. Mas pessoas comuns também se beneficiam dos fatores que geram super-humanos para pódios olímpicos.

O historiador Eric Hobsbawm cunhou o termo Era dos Extremos para descrever o turbulento século XX. A expressão se encaixa como uma luva para a diversidade humana dessas primeiras décadas do século XXI. É fato que o mundo atravessa uma epidemia de obesidade e que milhões de pessoas têm a qualidade e a expectativa de vida reduzidas em função das mazelas trazidas pelo excesso de peso. Esta é a grande batalha de saúde pública deste início de milênio. Porém, em meio aos sete bilhões de habitantes, há uma parcela considerável de pessoas com saúde jamais alcançada antes em toda a História da Humanidade. Para especialistas, não há receita mágica ou pílulas para os sem-idade. A genética tem um peso. Mas a essência está na alimentação e nos exercícios.

Comida melhor e mais equilibrada é parte importante desta história de sucesso. Outra é uma mudança fundamental na cronologia da atividade. Há nem tão pouco tempo assim a maioria das pessoas parava de se exercitar na meia-idade. Esporte e atividade física eram coisas das crianças e dos jovens. Hoje sabe-se que a demanda por atividade só aumenta com a idade. Um dos treinadores de Dara Torres, estrela da natação americana aos 44 anos, diz ser pura matemática. Se você malhava uma hora por dia aos 20 anos, precisará de duas aos 30 e por aí vai. Execício é para a vida toda. Coisa que o indiano Fauja Singh sabe muito bem. Em outubro passado, em Toronto, ele se tornou o primeiro centenário do mundo a completar os 42,2 quilômetros de uma maratona. Cruzou a linha de chegada em pouco mais de oito horas. Em Londres, será uma das pessoas a carregar a tocha olímpica.

O longo percurso percorrido por Singh no Canadá exige capacidade aeróbica e persistência, condições que os preparadores físicos atribuem à maturidade. O que limita um bom resultado depois dos 40 anos são atividades que exigem explosões de força muscular, que realmente diminui com os anos. As americanas Dara Torres e Janet Evans, com 44 e 40 anos, respectivamente, são pontos fora da curva. Mas quem escolhe um treinamento mais fundamentado na resistência, como modalidades de longa duração de corrida e ciclismo, por exemplo, pode surpreender.

As marcas atingidas por muita gente comum que escolhe praticar exercício a sério, hoje, se aproximam dos números de competidores. A advogada Andrea Folegatti, dos Filhos do Vento, foi considerada a melhor corredora amadora do Brasil no ano passado, aos 35 anos, estampando a capa da revista especializada “Finisher”. Este ano foi a segunda colocada nos 5K da última edição da corrida de São Sebastião e está embarcando para Paris, onde correrá a maratona após vencer em 2011 três etapas do circuito Golden Four, da Asics.

Começar cedo é importante, pois o corpo se condiciona e os resultados vêm mais rápido, assim como o estímulo para continuar.

— Vejo tudo isso como uma compensação do esforço de muitos anos — avalia Andrea, apaixonada por esportes desde criança. — Acho que estou melhor hoje, me cuido mais, entendo que o corpo às vezes precisa descansar.

A possibilidade de criar treinamentos específicos para o perfil de cada um e otimizar os resultados veio com o desenvolvimento do conhecimento e das tecnologias da medicina e do esporte, opina o professor de Educação Física Marcelo Cabral. Roupas, equipamentos e estrutura adequados se tornaram mais acessíveis recentemente e desempenham um papel importante.

A determinação e a persistência para alcançar objetivos movem um corpo que vence a idade cronológica. Apesar de o cotidiano atribulado muitas vezes jogar contra a dedicação, a frequência dos exercícios deve ser perseguida.

— O mais importante após começar a atividade é não parar. Os maiores inimigos do condicionamento são as interrupções e a prática mal conduzida — destaca Ricardo Sartorato, um dos fundadores da assessoria esportiva Filhos do Vento.

Assim como Andrea, a veterinária Juliana Trindade, de 33 anos, dedica pelo menos seis dias por semana aos treinos. Juliana se prepara para a meia maratona e, além de correr, nada no mar e faz musculação. O corpo enxuto revela a dedicação. Com um filho de 6 anos, ela tem 1,70m de altura e 59 quilos.

Se Juliana e Andrea são beneficiadas pela genética, só estudos mais detalhados poderiam mostrar. Algumas pessoas realmente têm mais capacidade cardiorrespiratória e muscular, como o montanhista nepalês Apa Sherpa, de 51 anos, que já subiu o Monte Everest 21 vezes. Mas o treinamento frequente, independentemente da idade, pode fazer muito pelo indivíduo comum.

Semana passada, um estudo sueco reforçou o papel da atividade física como principal arma pela longevidade. Pesquisadores mostraram que, em uma hora de exercício, ocorrem modificações na forma como os genes produzem proteínas associadas à força e ao metabolismo.

— O estudo também revelou alterações relacionadas à manutenção da força muscular em idosos — destaca Andrea Deslandes, do Laboratório de Neurociência do Exercício, da Universidade Gama Filho.

No interior das células ou no funcionamento de todo o organismo, os benefícios da prática do exercício continuado são incontestáveis. Prevenção de câncer, diabetes e doenças cardíacas, diminuição do estresse, e aumento de autoestima e da qualidade do sono entram na lista dos pontos ganhos no dia a dia.

Especialistas revelam como ter alto rendimento físico após os 40 anos

Alimentação adequada e acompanhamento profissional são fundamentais


 RIO - Para alcançar bons resultados na prática de atividades físicas, não é preciso ter menos de 20 anos. É cada vez mais comum ver pessoas na faixa dos 30 ou 40 anos atingindo boas marcas e exibindo corpos vigorosos. Como eles fazem isso? Alguns, claro, são beneficiados pela genética. Mas com determinação e disciplina é possível se destacar, dizem especialistas.

Fazer avaliação com um médico antes de iniciar qualquer atividade física é regra. Se a ideia é participar de alguma competição, a capacidade de controlar a ansiedade também é importante. Quem consegue costuma atingir melhores resultados. Essas pessoas têm autoestima mais elevada, o que também é um dos benefícios do esporte.

— A combinação de trabalho de autoimagem, autoestima, bom descanso e alimentação faz o resultado ser melhor — afirma Victor Matsudo, do Centro de Estudos e Laboratório de aptidão Física de São Caetano do Sul.

Passados os 40 anos, se você pretende competir, mesmo que como amador, deve associar os treinos a exercícios de força — musculação — e equilíbrio. Procure utilizar roupas e equipamentos adequados, o que preserva o corpo e melhora a performance.

— Para adultos saudáveis que buscam condicionamento aeróbico, uma combinação de exercícios moderados e intensos de três a cinco dias por semana, com duração de 20 a 60 minutos por dia, serve como regra geral. Quem tem maiores ambições de performance deve procurar orientação profissional — diz o professor de Educação Física Marcelo Cabral.

Escolher a modalidade adequada para sua faixa etária é importante. Com os anos, o corpo perde força muscular, principalmente após os 40, o que é compensado com exercícios de musculação. Optar por uma atividade que exija explosão muscular não é indicado para quem pretender ter bom desempenho nesta idade. As atividades do triatlo — ciclismo, corrida e natação — podem ser a saída. Quanto mais avançada a idade, mais recomendável escolher exercícios de menor impacto.

A individualização do treinamento, que já é importante no desempenho de qualquer atleta, deve ser levada ainda mais a risca por quem já passou dos 40 anos. Começar mais tarde não é impedimento. Mas o corpo levará mais tempo para se adaptar ao treinamento a que será submetido e para alcançar condicionamento.
— Existe um recordista mundial de natação master, um senhor com 93 anos, que aprendeu a nadar aos 70 — exemplifica Waldyr Mendes Ramos, professor da escola de Educaçção Física da UFRJ.

Uma breve história da evolução do corpo humano



sábado, 21 de janeiro de 2012

Filhos...

Matheus (14 anos)
Sou abençoado por cada filho tenho. Os tesouros mais valiosos de minha vida.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Celso Daniel: dez anos, oito mortos, nenhuma solução



Dez anos da morte de Celso Daniel (Fonte: Reprodução/O Povo)

CRIME COMUM?



Nesta sexta-feira, 20, completam-se dez anos da morte de Celso Daniel, o ex-prefeito petista da cidade de Santo André, no ABC paulista, sequestrado e assassinado em janeiro de 2002. Seu corpo foi encontrado em uma estrada de terra no município paulista de Juquitiba alvejado por oito tiros.
Uma década depois, após dois mandatos presidenciais de Lula e um ano de governo Dilma, ou seja, após nove anos de governo do PT, o assassinato brutal do homem que era cotado para coordenar a campanha que enfim levaria o partido ao poder no Brasil — e que era tido como estrela ascendente da legenda — permanece sem solução.
O caso Celso Daniel já foi reaberto duas vezes. Já esteve nas mãos da Polícia Civil e do Ministério Público. A tese da polícia, aplaudida pelo PT, é a de que Celso Daniel foi vítima de crime comum, encomendado pelo amigo e ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, que estava com Celso na noite em que ele foi sequestrado.
O Ministério Público acusou oito pessoas pela morte de Celso Daniel. Até hoje, só um dos implicados no crime, Marcos Bispo dos Santos, foi julgado, à revelia, e condenado a 18 anos de prisão. O “Sombra”, que nega veementemente ter participado do crime, deve ir a juri popular neste ano.
A promotoria, entretanto, refuta a tese de crime comum abraçada pela polícia e avalizada pelo PT, dizendo que Celso Daniel foi assassinado porque teria descoberto um esquema de corrupção na prefeitura de Santo de André que servia para desviar dinheiro para um caixa dois do Partido dos Trabalhadores usado para financiar campanhas eleitorais.
Queimas de arquivo
No julgamento de Marcos Bispo dos Santos, o promotor Francisco Cembranelli disse aos jurados que Celso Daniel “tinha ciência da corrupção e contrataram sua morte quando ameaçou tomar providências”.
O PT, por seu turno, acusa os promotores de tentarem politizar a morte de Celso Daniel. Pessoas que eram ligadas ao ex-prefeito e que hoje ocupam cargos do alto escalão do governo federal, como o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, assessor da prefeitura de Santo André quando da morte de Celso, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, viúva do prefeito morto, tentam ignorar os sangrentos desdobramentos do assassinato do ex-prefeito de Santo André, com a morte de nada menos do que sete pessoas ligadas ao crime, entre testemunhas e acusados de participação no homicídio.
Três meses depois do assassinato de Celso Daniel, o preso Dionísio Severo, ligado a Sérgio “Sombra”, foi morto na cadeia apenas dois dias após ter dito que teria informações sobre o caso. Ele foi resgatado da prisão de helicóptero dois dias antes da morte de Celso e, depois, recapturado. O homem que deu abrigo ao foragido neste meio tempo, Sérgio “Orelha”, também foi assassinado, bem como Otávio Mercier, investigador de polícia que ligou para Severo na véspera do sequestro de Celso Daniel.
Bruno Daniel denuncia Gilberto Carvalho
Não perca a conta: o garçom que na noite do sequestro do ex-prefeito serviu a mesa de uma churrascaria em São Paulo em que estavam Celso Daniel e Sérgio “Sombra” foi assassinado em fevereiro de 2003. Quando morreu, portava documentos falsos e tinha recebido na conta bancária um depósito de R$ 60 mil. A única testemunha da morte do garçom, Paulo Henrique Brito, morreu 20 dias depois com um tiro nas costas. Com dois tiros nas costas morreu em dezembro do mesmo ano o agente funerário Ivan Moraes Rédua, a primeira pessoa a reconhecer o corpo de Celso Daniel, quando ele ainda estava jogado na estrada de chão.
A última pessoa ligada ao caso que morreu, até agora, foi o médico-legista Carlos Delmonte Printes, que examinou o cadáver de Celso Daniel. O médico vinha dizendo que o ex-prefeito de Santo André foi brutalmente torturado antes de ser morto. Em setembro de 2005 ele chegou a ir no programa do Jô Soares, da Rede Globo, onde disse que recebeu pressão de políticos para aceitar a tese de crime comum. Um mês depois foi encontrado morto em seu escritório, na Zona Sul de São Paulo. Algum outro legista atestou suicídio.
Na última quarta-feira, 18, um dos irmãos de Celso Daniel, Bruno Daniel — que viveu anos exilado na França na condição de refugiado político devido às ameças que sofreu por sua insistência em elucidar o crime — apareceu dando uma entrevista à Band na qual afirmou que Gilberto Carvalho levou “em seu corsinha preto” R$ 1,2 milhão em propina arrecadada em Santo André para entregar a José Dirceu, que teria dado encaminhamento para o dinheiro ser usado na campanha de Lula em 2002.
Crime comum?